Eleito líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, 56 anos, que sucede o pai, o aiatolá Ali Khamenei, ainda não fez nenhuma aparição pública. Segundo reportagem do The New York Times publicada nesta 4ª feira (11.mar.2026), uma das razões seria o fato de Mojtaba ter ficado ferido logo no 1º dia da campanha militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
O jornal ouviu 3 funcionários iranianos que disseram ter recebido informações de autoridades mais graduadas do governo. Segundo eles, Khamenei teria sofrido ferimentos, inclusive nas pernas, mas estava consciente e abrigado em um local com segurança máxima e comunicação limitada.
Outro motivo para a ausência de comunicação do novo líder supremo iraniano seria justamente manter sua localização em segredo, por motivos de segurança. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que qualquer sucessor de Ali Khamenei seria um alvo.
Segundo o Times, a informação de que Mojtaba Khamenei se encontra ferido foi confirmada por duas autoridades militares israelenses. Todos foram ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato.
O pai de Mojtaba, Ali Khamenei, foi morto nos bombardeios israelenses lançados contra Teerã em 28 de fevereiro. Também morreram no ataque outros membros da família: a mãe do novo líder, a mulher e um de seus filhos.
Mojtaba Khamenei, 2º filho de Ali, é considerado uma figura misteriosa, que raramente apareceu em público ou participou de eventos. Desde a sua eleição pela Assembleia de Peritos, a mídia estatal iraniana tem veiculado um vídeo de 30 segundos com fotografias dele acompanhadas de uma breve biografia.
Sua eleição se deu no domingo (8.mar), pelo órgão formado por 88 clérigos responsáveis por escolher a autoridade máxima da República Islâmica. Até então, a Assembleia só havia escolhido um novo líder supremo uma vez desde a Revolução Iraniana de 1979: em 1989, quando Ali Khamenei sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Os EUA e Israel lançaram uma operação conjunta contra o Irã em 28 de fevereiro. No anúncio do início da campanha militar, o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o objetivo era pôr fim ao programa nuclear do regime persa e atuar em defesa dos norte-americanos. Trump também disse que a “a hora da liberdade” dos iranianos estava próxima.
Mais tarde, Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, de 86 anos.
Posteriormente, o governo iraniano corroborou a informação e decretou 40 dias de luto oficial.
Desde 28 de fevereiro, o Irã já atacou alvos em ao menos 14 países na região, incluindo o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar. “Nós alertamos todos na região que se os EUA nos atacassem, uma vez que não conseguimos atingir o solo norte-americano, que teríamos de atacar as bases deles na região”, declarou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, na 3ª feira (9.mar).
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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