• Quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Crescimento da raça Quarto de Milha no Brasil – mais de 700 mil animais – e seu protagonismo mundial

De raça importada a potência global, o Quarto de Milha consolida números recordes, domina os esportes equestres e coloca a genética brasileira no radar internacional; Trabalho desenvolvido por criadores ajuda a consolidar Brasil como importante criador

De raça importada a potência global, o Quarto de Milha consolida números recordes, domina os esportes equestres e coloca a genética brasileira no radar internacional; Trabalho desenvolvido por criadores ajuda a consolidar Brasil como importante criador Após décadas de investimento contínuo, profissionalização da criação e forte ligação com os esportes equestres, o Brasil transformou o cavalo Quarto de Milha em um verdadeiro fenômeno nacional — e, agora, em um protagonista mundial. O que começou com a chegada de poucos animais importados, em meados do século passado, evoluiu para um dos maiores e mais organizados plantéis da raça no planeta, com reconhecimento crescente dentro e fora das arenas. Hoje, o Quarto de Milha brasileiro é sinônimo de versatilidade, desempenho esportivo, alto valor econômico e genética competitiva em nível global, refletindo uma trajetória construída com paixão, técnica e visão de longo prazo. Confira esse especial do Compre Rural sobre a raça e trajetória dos criadores, investidores e, principalmente, da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM).
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    Das primeiras importações à organização da raça Quarto de Milha no Brasil A história do Quarto de Milha no país teve início em 1954, quando o primeiro grupo de animais foi importado dos Estados Unidos. O marco inicial foi a chegada do garanhão Saltillo Jr., acompanhado de éguas oriundas da tradicional King Ranch, no Texas. Naquele momento, o Brasil dava seus primeiros passos no contato com uma raça até então pouco conhecida por aqui, mas que rapidamente despertaria interesse pela sua velocidade, força e funcionalidade no trabalho com gado. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});O crescimento do número de criadores e a necessidade de organização levaram à fundação da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), em 15 de agosto de 1969, em São Paulo. A partir daí, a criação passou a seguir critérios técnicos de registro, seleção e melhoramento genético, criando as bases para a expansão que viria nas décadas seguintes. Números que explicam o sucesso da raça O avanço foi exponencial. Em pouco mais de meio século, o Brasil saiu de um plantel incipiente para uma das maiores populações de Quarto de Milha do mundo. Atualmente, o país soma mais de 700 mil registros emitidos, com cerca de 560 mil animais vivos, o que coloca a raça entre as mais numerosas e populares do território nacional. Dentro de um rebanho equino brasileiro estimado em aproximadamente 5,8 milhões de cabeças, o Quarto de Milha se destaca como líder em registros entre as raças de origem estrangeira, disputando espaço com raças tradicionais formadas no país. Esse crescimento também se reflete na base produtiva: são mais de 200 mil criadores e proprietários filiados à ABQM, espalhados por todos os estados, com dezenas de milhares de criatórios ativos. Na prática, isso significa que o Quarto de Milha deixou de ser uma criação concentrada em poucos polos e passou a integrar a realidade do campo brasileiro de Norte a Sul. Versatilidade esportiva como motor de expansão Um dos principais pilares do crescimento da raça no Brasil é sua capacidade de adaptação a diferentes modalidades e sistemas de uso. Desenvolvido originalmente para corridas curtas, o Quarto de Milha mostrou aptidão excepcional para provas de trabalho, velocidade e habilidade, tornando-se dominante em modalidades como três tambores, seis balizas, laço em dupla, laço individual, team penning, apartação, rédeas e vaquejada. Entre essas, a vaquejada exerce papel central, especialmente no Nordeste. Reconhecida como patrimônio cultural imaterial e esporte regulamentado, a modalidade impulsionou fortemente a demanda por cavalos rápidos, inteligentes, resistentes e dóceis — características que se alinham perfeitamente ao perfil do Quarto de Milha. Não por acaso, o Nordeste já concentra cerca de 22% do plantel nacional, com mais de 120 mil animais registrados, ficando atrás apenas da região Sudeste, que lidera em número absoluto de exemplares. Essa distribuição regional mostra como a raça se adaptou às vocações esportivas e culturais de cada parte do país, garantindo crescimento sustentado e capilarizado. Mercado aquecido e valorização milionária O fortalecimento dos esportes equestres elevou significativamente o valor econômico do Quarto de Milha brasileiro. Leilões especializados movimentam cifras milionárias todos os anos, com animais de ponta sendo disputados por investidores, criadores e competidores profissionais. Em eventos nacionais de destaque, especialmente ligados à vaquejada, não é raro que lotes ultrapassem a marca de R$ 1 milhão, refletindo o alto nível genético alcançado. Esse cenário transformou o cavalo em um ativo estratégico dentro do agronegócio, gerando renda, empregos e estimulando toda uma cadeia produtiva que envolve criadores, treinadores, veterinários, centros de reprodução e eventos esportivos. Genética, tecnologia e a democratização da criação Outro fator decisivo foi o avanço do melhoramento genético aliado às biotecnologias reprodutivas. A partir dos anos 1990, a importação de sêmen e embriões de grandes campeões internacionais, somada ao uso de inseminação artificial e transferência de embriões, acelerou o ganho genético do plantel nacional. Esse processo também democratizou o acesso à criação. Hoje, mesmo pequenos produtores podem iniciar um projeto competitivo a partir de uma única égua bem escolhida, utilizando genética de ponta disponível no mercado. O resultado foi a ampliação da base de criadores, maior circulação de conhecimento técnico e uma evolução constante da qualidade dos animais produzidos no país. Do Brasil para o mundo: reconhecimento internacional Com a evolução genética e esportiva, o Brasil deixou de ser apenas importador e passou a exportar cavalos e genética de alto nível. Animais nascidos e criados em território nacional já competem — e vencem — em grandes arenas dos Estados Unidos e da Europa. Casos emblemáticos incluem a exportação de cavalos brasileiros para provas de apartação, rédeas e três tambores, além da presença crescente de criadores nacionais investindo diretamente no berço da raça, no Texas. Esse movimento simboliza uma virada histórica: o Brasil passou a atuar de igual para igual com as principais potências mundiais do Quarto de Milha. Protagonismo consolidado e futuro promissor para o Quarto de Milha Hoje, o Brasil detém o segundo maior plantel de Quarto de Milha do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e abriga uma das maiores associações de criadores do planeta. Mais do que quantidade, o país conquistou respeito técnico, esportivo e comercial, com profissionais e animais reconhecidos internacionalmente. O cenário indica continuidade desse crescimento. Novos criadores ingressam no setor, a profissionalização avança e a troca genética internacional se intensifica. O Quarto de Milha, que chegou como novidade estrangeira há pouco mais de 70 anos, tornou-se um símbolo do cavalo moderno brasileiro, protagonista nas pistas, nos leilões e no mercado global.
    Por: Redação

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