• Quarta-feira, 3 de junho de 2026

Contaminação no feno: como identificar fungos e evitar riscos graves aos cavalos

Saiba como identificar a contaminação no feno por fungos pela aparência, cheiro e textura — sinais que podem evitar cólicas e intoxicação em cavalos.

A alimentação dos cavalos exige atenção extrema — e o feno, base da dieta de grande parte dos equinos, pode se transformar em um verdadeiro risco quando contaminado. O que parece um alimento seguro pode esconder fungos, micotoxinas e até ovos de parasitas, comprometendo diretamente a saúde digestiva e respiratória dos animais.

Casos recentes reforçam o alerta: surtos envolvendo cavalos já foram associados ao consumo de feno contaminado, com registros de cólicas severas e mortes após ingestão de material com presença de fungos. O problema é ainda mais crítico porque, em muitos casos, o perigo não é visível.

Diferente de bovinos, os cavalos possuem um sistema digestivo extremamente sensível. Qualquer alteração na qualidade do alimento pode causar:

  • Cólica (principal causa de morte em equinos)
  • Distúrbios intestinais graves
  • Intoxicações por micotoxinas
  • Problemas respiratórios causados por poeira e fungos
  • Além disso, o manejo alimentar inadequado, aliado à presença de fungos no feno, pode intensificar processos de fermentação e produção de gases, agravando quadros clínicos. Por isso, saber identificar sinais no feno antes de oferecer aos cavalos é uma prática essencial — e pode salvar vidas.

    Os fungos são o principal perigo no feno. Eles se desenvolvem em ambientes úmidos e produzem toxinas altamente nocivas aos equinos.

    👀 Visualmente
  • Presença de manchas brancas, cinzas, verdes ou pretas
  • Aspecto de “algodão” ou pó fino sobre o feno
  • Feno escurecido, amarronzado ou com aparência “queimada”
  • Pontos concentrados de bolor (principalmente no interior do fardo)
  • 👉 Qualquer mancha branca ou escura já indica presença de fungo e contaminação
    👃 Pelo cheiro

  • Odor de mofo ou ambiente fechado
  • Cheiro de fermentação ou decomposição
  • Aroma “azedo” ou diferente de capim seco
  • 👉 Feno de qualidade deve ter cheiro fresco, semelhante a capim seco. Qualquer odor estranho é sinal de alerta.
    Na textura

  • Sensação úmida ou pegajosa
  • Feno “quente” (indicando fermentação interna)
  • Excesso de poeira ao manusear (esporos)
  • 👉 Poeira excessiva pode indicar presença de fungos e partículas inaláveis prejudiciais aos pulmões.

    Veterinários alertam que alguns tipos de capim têm maior tendência a mofar internamente, o que dificulta a identificação e aumenta o risco de intoxicação. Entre os mais críticos estão os fenos produzidos a partir de gramíneas do gênero Cynodon, como Tifton 85, Coast-cross e Jiggs, além de forragens mais densas como Pangola e algumas espécies de Brachiaria, e também a Alfafa.

    Esses materiais possuem maior volume de folhas, alta densidade e capacidade de reter umidade, o que pode dificultar a secagem uniforme durante o processo de fenação. Como consequência, favorecem o desenvolvimento de fungos no interior dos fardos, especialmente quando o enfardamento ocorre com umidade elevada ou armazenamento inadequado

    Um dos maiores erros no manejo é avaliar apenas o exterior do fardo.
    Especialistas alertam que o mofo pode estar concentrado no interior, mesmo quando o lado externo parece normal .

    👉 Por isso, sempre abra o fardo antes de fornecer aos cavalos.

    Os ovos e larvas de parasitas são praticamente invisíveis a olho nu, mas existem indícios claros de risco ligados à origem do feno.

    Sinais de alerta:
  • Feno com terra, poeira excessiva ou fezes
  • Colheita muito rente ao solo
  • Produção em áreas com alta carga parasitária
  • Presença de restos orgânicos ou plantas invasoras
  • Importante:
    O risco não está na aparência direta, mas no manejo. Ovos de parasitas podem sobreviver no ambiente e contaminar o alimento facilmente.

    Ou seja:
    👉 Feno bonito por fora não garante segurança.

    A ingestão de feno contaminado pode desencadear quadros graves:

  • Cólica aguda (com risco de morte)
  • Empazinamento e acúmulo de gases
  • Paralisia intestinal
  • Intoxicação hepática
  • Queda de desempenho e perda de peso
  • Problemas respiratórios (especialmente em baias fechadas)
  • Em casos extremos, a evolução pode ser rápida e fatal — especialmente em animais estabulados, com menor mobilidade intestinal.

    A prevenção é a única forma eficaz de proteger os cavalos.

    Boas práticas essenciais:

    ✔ Escolha do feno

  • Priorizar fornecedores confiáveis
  • Evitar feno com odor estranho ou aparência irregular
  • ✔ Armazenamento

  • Local seco, ventilado e protegido da umidade
  • Nunca armazenar diretamente no chão
  • ✔ Manejo alimentar

  • Sempre inspecionar antes de oferecer
  • Preferir fornecimento no cocho (evita contaminação)
  • ✔ Regra de ouro

  • Na dúvida, descarte — nunca arrisque oferecer feno suspeito
  • A contaminação no feno é um problema silencioso, mas extremamente perigoso para cavalos.
    E o detalhe mais importante: ela pode ser identificada com uma simples inspeção.

    No dia a dia do haras, o cuidado deve ser constante:

    👉 Viu, cheirou ou sentiu algo estranho? NÃO ofereça.

    Porque, na equinocultura, um pequeno sinal no feno pode evitar uma grande perda.

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    Por: Redação

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