A iminente ameaça de novas barreiras comerciais impostas pelo mercado norte-americano acendeu o sinal de alerta no campo brasileiro. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos do Brasil, as principais entidades setoriais se mobilizaram.
O posicionamento é unânime: contra tarifaço, agronegócio pede negociação para blindar as vendas externas e mitigar o risco de prejuízos econômicos severos às cadeias produtivas nacionais. As lideranças defendem que eventuais divergências sejam pacificadas pela via diplomática e pelo diálogo bilateral.
Setor sucroenergético rebate retaliação e defende o etanol brasileiroA reação mais robusta veio do segmento de biocombustíveis. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Bioenergia Brasil vieram a público esclarecer que a atual tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado cumpre rigorosamente as regras estabelecidas pelo Mercosul. De acordo com as entidades, a taxação brasileira não configura uma medida direcionada ou discriminatória contra os Estados Unidos.
As associações trouxeram à tona uma assimetria histórica na relação comercial: há décadas os norte-americanos protegem seu mercado de açúcar por meio de barreiras tarifárias severas e cotas rígidas que asfixiam o potencial de exportação do Brasil. Diante do novo cenário, o setor reforça que o etanol nacional é referência global em descarbonização e baixa intensidade de carbono. Para resguardar a parceria comercial, as entidades reiteram que, contra tarifaço, agronegócio pede negociação para blindar as vendas externas de biocombustíveis e manter o fluxo logístico aberto.
Alívio parcial e vigilância no setor cafeeiroNo setor de café, o sentimento é de um misto de alívio temporário e extrema vigilância. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) avaliou de forma positiva o fato de que a maior parte do portfólio brasileiro foi poupada da proposta de sobretaxa de 25%. Itens de grande volume, como o café verde, torrado, descafeinado, além de extratos e derivados, não foram incluídos na lista preliminar de sanções do USTR.
No entanto, o sinal de alerta permanece ligado para o café solúvel. Se a medida regulatória for confirmada, o produto verá sua alíquota saltar dos atuais 10% para pesados 25% a partir de 15 de julho de 2026. A BSCA informou que já iniciou interlocuções com autoridades de Brasília e representantes de Washington. O objetivo é estender a isenção ao café solúvel durante o período de consulta pública, que se encerra no início de julho. Afinal, para evitar o efeito cascata na cadeia produtiva e demonstrar que, contra tarifaço, agronegócio pede negociação para blindar as vendas externas, a articulação política precisará ser cirúrgica.
Insegurança jurídica e perda de competitividade na pisciculturaO fantasma do protecionismo também assombra as águas brasileiras. A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) expressou profunda preocupação com a possível sobretaxa linear de 25% aos produtos nacionais exportados para a América do Norte. Embora a lista final de subsetores penalizados ainda passe por discussões técnicas, a mera possibilidade da barreira alfandegária já espalha insegurança jurídica e comercial pelas cadeias exportadoras.
Segundo a Peixe BR, os Estados Unidos figuram entre os maiores mercados consumidores do planeta para o pescado brasileiro. A imposição de restrições arbitrárias sob o argumento de investigações comerciais prejudica a competitividade do país justamente no momento de consolidação do Brasil como uma superpotência alimentar global. A associação confirmou que monitorará de perto os desdobramentos em Washington, endossando o coro de que, contra tarifaço, agronegócio pede negociação para blindar as vendas externas, blindando o crescimento da piscicultura nacional contra retrocessos comerciais.





