- Inflação geral: 3,18%
- Bombons e chocolates: 16,71%
- Bacalhau: 9,9%
- Sardinha em conserva: 8,84%
- Atum: 6,41%
- Arroz: -26,11%
- Ovos de galinha: -14,56%
- Azeite: -23,20%
- 2026: -5,73%
- 2025: -6,77%
- 2024: 16,73%
- 2023: 13,16%
Industrializados
Matheus Dias destaca que os repasses de quedas provenientes de melhoras na produção agrícola são mais complexos e apresentam defasagens mais longas em produtos industrializados. Ele exemplifica com o chocolate. Mesmo com o cacau, principal matéria-prima, registrando quedas no mercado internacional desde outubro de 2025, chegando a recuar cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses, os preços dos chocolates ao consumidor seguiram em alta de 16,71% no período. “Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, explica.Concentração
Na terça-feira (31), ao divulgar um estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, o economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que um dos fatores de alta consistente nos preços é a concentração, que tende a diminuir a concorrência entre empresas. No levantamento, ele aponta que cinco marcas de bombons e chocolates de três empresas alcançam 83% do mercado.Indústria
Procurada pela Agência Brasil para fazer comentários sobre o preço dos chocolates, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) informou que o valor não é determinado apenas pelo cacau.A Abicab explica ainda que cada empresa tem a própria política de preço e que a indústria acompanha oscilações naturais do mercado e cria alternativas de venda de produtos “para todos os paladares e adaptadas às várias faixas de consumo”. Este ano, de acordo com a associação, foram colocados 800 itens no mercado, com 134 lançamentos, contra 611 ano passado. Os representantes da indústria detalham que, em 2024, o fenômeno El Niño (aquecimento anormal das águas da porção leste da região equatorial do Oceano Pacífico) devastou plantações. Os países africanos Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60% da produção mundial de cacau, foram atingidos, e o mercado ficou com um déficit de 700 mil toneladas, segundo a Abicab. A falta do produto levou o preço da tonelada, negociada na Bolsa de Nova York, a subir quatro vezes, para US$ 11 mil - equivalente hoje a cerca de R$ 56,7 mil. De acordo com a Abicab, “apenas 10% desse impacto se refletiu no preço final”. Hoje a cotação beira US$ 3,3 mil.“Outros insumos como leite, açúcar, frete (uso de caminhões frigoríficos, já que se trata de carga perecível) e variação do dólar devem ser levados em conta”, ressalta a entidade.
Empregos
A indústria de chocolates ressalta que “a expectativa para esta Páscoa é positiva porque vivemos estabilidade econômica, com a menor taxa histórica de desemprego”. Na estimativa da Abicab, o número de empregos temporários é de 14,6 mil, 50% a mais que em 2025, frisando que as contratações costumam se iniciar em agosto do ano anterior. Desses, 20% acabam se tornando fixos, com carteira assinada, de acordo com a associação. Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva revelou que 90% dos consumidores pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa neste ano. Relacionadas
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