O Brasil criou 121.305 vagas formais em setembro, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (4). O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava a abertura de aproximadamente 180 mil a 185 mil postos, e também recuou em relação às 161 mil vagas registradas em agosto.

Na avaliação de economistas, o número indica uma perda gradual de força do mercado de trabalho diante da desaceleração da atividade e dos efeitos defasados da política monetária restritiva. Com ajustes sazonais, as admissões caíram 1,8% e os desligamentos recuaram 0,3% na comparação com a divulgação anterior, de acordo com levantamento da 4Intelligence.

Para Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP, a taxa de juros de 13,75% já afeta negativamente a economia. Segundo ela, embora o dado seja relevante para a análise do Comitê de Política Monetária (Copom), não deve alterar a expectativa de manutenção da Selic na decisão prevista para esta quarta-feira, após o fechamento do mercado.

Serviços sustentam resultado

O setor de Serviços foi o principal suporte para o saldo de setembro, com cerca de 40 mil vagas líquidas. Saúde, atividades administrativas e transportes foram os segmentos que mais contribuíram para o resultado.

Na direção oposta, a Indústria eliminou 14,3 mil postos, enquanto a Agropecuária registrou queda de 4,4 mil vagas. O Comércio apresentou o pior desempenho em relação ao ano anterior: no acumulado de 2026, a geração de empregos formais no setor caiu 90,3%.

A 4Intelligence atribui parte da fraqueza do comércio ao encarecimento do financiamento para o consumo, que reduz as contratações em segmentos de bens duráveis, como móveis e eletroeletrônicos. A consultoria também aponta a transferência de empregos do varejo tradicional para atividades de logística e armazenagem associadas ao crescimento do comércio eletrônico.

Outro fator mencionado pela consultoria é o avanço das apostas esportivas, conhecidas como bets. Estudos citados pela empresa indicam que o vestuário está entre os principais itens cortados pelos apostadores brasileiros. Para a 4Intelligence, esse movimento, somado ao fim da isenção tributária para compras internacionais de pequeno valor, limita a expansão do emprego formal no comércio.

Rotatividade e projeções

Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de resiliência. Em setembro, 764,9 mil trabalhadores pediram demissão. Em 12 meses, foram 9,2 milhões de desligamentos voluntários, volume que, segundo a 4Intelligence, sugere a existência de ofertas consideradas mais vantajosas pelos profissionais.

Os salários médios nominais subiram 6,3% nas admissões e 5,3% nos desligamentos na comparação anual, de acordo com o levantamento.

A 4Intelligence reduziu de 950 mil para 900 mil a estimativa de criação de vagas formais em 2026. A revisão acompanha a redução da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 1,8% para 1,6%.

Para 2027, a consultoria prevê a abertura de 785 mil postos e expansão de 1,2% do PIB. Rodolfo Margato, economista da XP, estima um cenário ainda mais fraco, com cerca de 800 mil vagas formais em 2026 e 420 mil em 2027.

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