Partidos do centrão avaliam adaptar o voto distrital misto para tentar viabilizar uma mudança na eleição de deputados federais antes do fim do ano. Pela proposta em análise, os próprios estados seriam considerados os distritos eleitorais na eleição de 2030, enquanto a divisão interna dos entes federativos seria discutida por um grupo de trabalho e passaria a valer somente a partir de 2034.
A alteração busca reduzir a resistência de lideranças que se posicionaram contra o modelo inicialmente discutido. A ideia original previa dividir os estados em distritos já na próxima mudança, mas a falta de consenso sobre como fazer essa separação levou à formulação de uma transição.
Como funcionaria o modelo
O distrital misto combina dois critérios de escolha. Metade das vagas seria preenchida pelos candidatos mais votados nos distritos, enquanto a outra metade ficaria com nomes escolhidos pelos próprios partidos.
Na adaptação agora considerada, os estados funcionariam como unidades distritais na eleição de 2030. O grupo de trabalho formado por deputados federais teria, então, a tarefa de discutir uma divisão posterior dos estados, prevista para produzir efeitos a partir de 2034.
Partidos de centro defendem a mudança na tentativa de conter a perda de espaço e acabar com os chamados “puxadores de votos”, mecanismo apontado como responsável por permitir o crescimento da bancada do PL a partir do ano que vem. Essa é a justificativa política atribuída à articulação.
O apoio dos presidentes dos partidos é citado como um dos fatores favoráveis à proposta. Outro ponto considerado relevante é a possibilidade de aprovar a mudança por meio de projeto de lei, sem a necessidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
