O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil “sempre estará à disposição e mobilizado” para auxiliar o sistema de saúde venezuelano “por razões humanitárias”. Segundo ele, a saúde no país pode ser afetada pelo ataque de sábado (3.jan.2026) dos Estados Unidos à Venezuela.
Além disso, Padilha declarou que o ministério está preparado para possíveis impactos no SUS (Sistema Único de Saúde) causados pelo conflito. Até o momento, não houve aumento do fluxo migratório na fronteira. A declaração foi dada a jornalistas nesta 2ª feira (5.jan).
“O objetivo é reduzir ao máximo os impactos sobre o nosso sistema de saúde. Desde o começo a gente se prepara para, se for necessário, realizar um aumento de efetivo. Estamos preparados para isso”, disse.
Segundo a Venezuela, o ataque norte-americano causou danos em um depósito de insumos para diálise e nefrologia. Padilha afirmou que o ministério prestará “apoio ao povo venezuelano”, já que isso pode significar um desabastecimento desses medicamentos.
Citou a pandemia da covid-19 para justificar o auxílio: “Não podemos esquecer que, quando faltou oxigênio no Brasil, a Venezuela ajudou o nosso país”. O ministro se refere à falta de oxigênio em Manaus, quando a nação vizinha enviou 3 caminhões de oxigênio para a região.
O ministro também afirmou que este tipo de parceria é importante para assegurar a segurança sanitária da região. Segundo ele, foi por causa de campanhas conjuntas de vacinação que a América do Sul não enfrentou uma “explosão de casos de sarampo” como na América do Norte.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou Nicolás Maduro e Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeiros, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana, para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso norte-americano. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No sábado (3.jan), Trump afirmou a jornalistas que os EUA assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deve ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
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