O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer usar o ato em memória ao 8 de Janeiro, nesta 5ª feira (8.jan.2026), para vetar, ao menos parcialmente, o projeto da dosimetria. A cerimônia, no entanto, será sem a presença dos chefes do Congresso: Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do Senado, informaram que não participarão do evento.
As ausências reforçam a tensão entre Planalto e Legislativo em torno da proposta, que dividiu o Congresso ao flexibilizar penas aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos e pela tentativa de golpe de 2023, entre eles Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente terá uma redução de sua pena de 27 anos e 3 meses para cerca de 2 anos, segundo o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
Lula tem até domingo (11.jan) para se decidir. Em dezembro, o presidente já antecipou que vetará o texto, o que deve irritar a parte majoritária do Congresso. A expectativa, segundo aliados, é que Lula anuncie a decisão como forma simbólica aos 3 anos dos ataques golpistas. O presidente, contudo, deve bater o martelo sobre isso nesta 3ª feira (6.jan) ou na 4ª (7.jan) –depois do retorno dele a Brasília.
O petista pediu a presença de todos os seus ministros na cerimônia. Parte do governo, no entanto, ainda está em recesso. A ministra Simone Tebet (Planejamento), por exemplo, continua de férias e não comparecerá. O ministro Fernando Haddad (Fazenda) também está em recesso, sem previsão de participação.
“Eles querem que o 8 de Janeiro caia no esquecimento e nós queremos que a sociedade não se esqueça nunca que um dia esse país teve alguém que não soube perder a eleição e resolveu pela forma mais cretina continuar governando esse país”, afirmou Lula em reunião ministerial de 17 de dezembro. “É por isso que nós precisamos fortalecer a democracia, que dia 8 de janeiro a gente vai ter o ato simbólico contra o 8 de Janeiro aqui em Brasília.”
Do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, o presidente da Corte, e os ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia confirmaram presença até o momento. O Supremo também organizará programação especial ao longo do dia, com exposição, documentário e debates. A iniciativa se chama “Democracia Inabalada: 8 de Janeiro – Um dia para não esquecer”.
O ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral), responsável pela articulação com movimentos sociais, participará da cerimônia oficial. Ele também acompanhará o presidente caso Lula desça para a área externa após o evento no Salão Nobre –como fez ano passado.
O PT convocou manifestações em todas as capitais do país, com prioridade para Brasília. A convocação é conjunta com as Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. O partido pretende concentrar sua militância na área externa do Planalto.
“O centro do ato de 8 de Janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8 de Janeiro após a condenação e prisão dos criminosos golpistas“, afirmou Boulos.
O ministro acrescentou que temas de soberania nacional também estarão presentes. “Agora, é evidente que os temas da Soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8 de Janeiro”, declarou.
O cenário de 2025 se repete. No ano passado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL) também não participaram da cerimônia promovida pelo governo Lula.
Em 2025, o governo realizou uma cerimônia em 4 atos na Praça dos Três Poderes. Lula reapresentou 21 obras de arte restauradas após terem sido vandalizadas em 2023, entre pinturas, esculturas e artefatos históricos.
O evento começou com a reinauguração do relógio de Balthasar Martinot, do século 17, consertado na Suíça. Em seguida, houve o descerramento da obra “As Mulatas”, de Di Cavalcanti. Lula discursou no Salão Nobre e depois desceu a rampa do Planalto para um abraço simbólico na praça com o público presente.
Os chefes das Forças Armadas participaram a pedido do presidente. A iniciativa teve caráter institucional após o relatório da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe apontar a participação de integrantes das Forças Armadas.





