O Brasil e a Índia firmaram, neste sábado (21.fev.2026), um pacto de cooperação em minerais críticos e terras raras. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou o acordo ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Nova Délhi. É o 1º acordo nessa área assinado pelo Brasil.
A Índia busca diversificar os fornecedores de minerais críticos e terras raras visando a diminuir a dependência da China nesses recursos. O Brasil se posiciona como parceiro estratégico nesta iniciativa, já que detém a 2ª maior reserva global de minerais críticos.
O governo brasileiro estabeleceu uma cooperação técnica e científica com a Índia para o desenvolvimento de cadeias produtivas de minerais críticos. O memorando prevê a troca de experiências entre os 2 países, mas não contempla exportação, investimentos ou cotas de produção.
Em discurso no encerramento do Fórum Internacional Brasil-Índia, no sábado (21.fev), o presidente disse que “a transição energética e digital não se fará sem minerais críticos”.
“Assim como a Índia criou a ‘Missão Nacional de Minerais Críticos’, o Brasil vai criar um Conselho Nacional vinculado à Presidência da República para garantir a nossa soberania. Queremos atrair a cadeia de processamento dessa riqueza para o território brasileiro, sem fazer opções excludentes. O acordo que assinamos hoje com a Índia vai nessa direção”, afirmou.
Assista à declaração conjunta (24min):
A formalização do acordo se dá em meio à disputa entre Estados Unidos e China pelo acesso às reservas brasileiras. O governo brasileiro resiste a fechar pactos que garantam a exclusividade de fornecimento a países como os Estados Unidos.
A estratégia brasileira visa a preservar a flexibilidade para negociar com diferentes parceiros: as conversas com a União Europeia seguem em estágio avançado e a visita de Lula a Washington (EUA), prevista para março, deve tratar também sobre minerais críticos.
Além disso, a condição estabelecida pelo Planalto é que o processamento dos minerais seja feito em território brasileiro.
Em novembro de 2025, o petista já havia dito que o Brasil não será um exportador de minerais críticos. “Se quiser, vai ter que industrializar o nosso país para que o nosso país possa ganhar esse dinheiro”, declarou Lula em visita a Moçambique. Na ocasião, o presidente defendeu que as duas nações devem processar matérias-primas antes da exportação.
Enquanto isso, a Índia lançou seu plano nacional para minerais críticos em 2025. O programa prevê investimentos de US$ 2 bilhões para garantir fontes de minerais críticos e criar 7 centros de excelência em mineração até 2030.
O presidente brasileiro chegou à capital indiana na 4ª feira (18.fev) para participar de uma cúpula global sobre IA (inteligência artificial). No sábado (21.fev), Lula foi recebido com cerimônia oficial, prestou homenagens a Mahatma Gandhi e se reuniu com Modi para discutir a ampliação da cooperação bilateral. Os 2 países assinaram 8 acordos –leia aqui.
As trocas comerciais entre Brasil e Índia superaram US$ 15 bilhões em 2025. Os países estabeleceram a meta de elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030, mas Lula já demonstrou querer revisar o valor estipulado para US$ 30 bilhões.
O presidente brasileiro segue para a Coreia do Sul, onde terá reuniões com o presidente Lee Jae-Myung e participará de um fórum empresarial no país asiático.
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