O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, em Nova Délhi, neste sábado (21.fev.2026), que o Brasil busca “parcerias maduras, com vantagens mútuas” com Estados Unidos, Europa e Ásia, após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano). Haddad integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em viagem oficial pela Ásia.
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas globais adotadas por Trump. A medida atinge a política comercial implementada pela Casa Branca e abre espaço para revisão de sobretaxas aplicadas a produtos importados.
Haddad afirmou que o Brasil não pretende adotar postura de alinhamento automático. “Tudo o que nós queremos é, em relação à Ásia, em relação à Europa, em relação aos Estados Unidos, ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro. O Brasil é grande demais para ser o quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo”, disse.
O Brasil estava entre as nações mais afetadas pelas tarifas. Trump chegou a estabelecer uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Depois, o presidente recuou da decisão.
O ministro citou o acordo firmado com a União Europeia e afirmou que, apesar de dificuldades internas no bloco, o processo avança. “Nós fechamos o acordo com a União Europeia, que também está com dificuldades internas na Europa, mas isso tudo vai sendo superado e o Brasil vai inserindo a sua economia num contexto de multilateralismo, de paz, de cooperação, de troca. Eu sou otimista em relação ao futuro do Brasil, do ponto de vista geopolítico”, declarou.
Sobre os desdobramentos da decisão judicial nos EUA, Haddad afirmou que o governo brasileiro acompanha os próximos passos da administração norte-americana. “Vamos ver quais vão ser os próximos passos do governo americano. Mas, independentemente da reação do executivo à decisão do Judiciário lá, nós temos certeza que estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações”, afirmou. Segundo ele, “os 200 anos de amizade que unem os nossos países não podem ser comprometidos por razões ideológicas”.
Haddad também disse que as tarifas não afetaram a competitividade brasileira. “Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e na janta consome produtos brasileiros”, afirmou. De acordo com o ministro, o próprio governo dos EUA já vinha revisando tarifas sobre produtos de consumo de massa. “Nós já tínhamos a percepção de que íamos chegar a bom termo”, disse.
A decisão da Suprema Corte altera o cenário da política comercial dos Estados Unidos e pode ter impacto nas relações bilaterais. Haddad indicou que o Brasil aposta em diálogo institucional e na retomada de condições consideradas normais no comércio entre os 2 países.





