O governo brasileiro avalia a possibilidade de expulsar agentes norte-americanos que atuam no país, em resposta ao pedido dos Estados Unidos para a retirada de Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal ligado ao caso da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
Segundo informações da CNN Brasil, a medida é considerada com força nos bastidores, especialmente caso as autoridades americanas não apresentem justificativas detalhadas para a solicitação envolvendo o delegado brasileiro.
Atualmente, a cooperação entre os dois países permite a atuação de policiais federais brasileiros nos Estados Unidos e de agentes norte-americanos no Brasil. Esse intercâmbio ocorre com base em um memorando de entendimento firmado entre as nações para fortalecer a colaboração na área de segurança.
De acordo com fontes brasileiras ligadas à CNN, o acordo segue em vigor e teria sido renovado em 2025, já durante o governo de Donald Trump.
Na noite dessa segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos divulgou uma mensagem na qual diz ter pedido que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país. Segundo o órgão, o policial brasileiro teria atuado de forma irregular ao monitorar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em território americano.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz a nota, publicada no perfil do órgão no X.
Marcelo Ivo atua desde 2023 como oficial de ligação da PF junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Ele participou do monitoramento de Ramagem no país na semana passada, ação que antecedeu a prisão do ex-parlamentar, posteriormente revogada após dois dias.
Ramagem foi detido em 13 de abril por agentes do ICE, inicialmente após abordagem por infração de trânsito. As autoridades identificaram, porém, que ele estava em situação migratória irregular, com visto de turista expirado desde março e entrada no país realizada com passaporte diplomático cancelado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com apuração da CNN Brasil, o ex-deputado já era monitorado por agências de inteligência desde novembro do ano passado. A vigilância incluiu identificação do veículo utilizado por Ramagem na Flórida e acompanhamento presencial por agentes, além de reuniões entre autoridades brasileiras e americanas.
A Polícia Federal investiga se Ramagem adquiriu um carro utilizando documento inválido e se o veículo foi usado para buscar a esposa em um aeroporto, o que teria ajudado a localizar seu paradeiro. A partir daí, agentes passaram a acompanhá-lo de forma discreta. Pelas regras internacionais, a PF não pode efetuar prisões em outros países, cabendo ao órgão reunir informações e repassá-las às autoridades locais. Nas primeiras semanas de abril, houve intensificação da cooperação com agentes da Flórida, incluindo reuniões com representantes do ICE.
Na quinta-feira (16), integrantes da PF se reuniram com autoridades americanas em Orlando para esclarecer a soltura de Ramagem, cujos motivos não foram informados ao governo brasileiro. Na ocasião, foram apresentados documentos com o objetivo de reforçar um eventual pedido de deportação, com base no risco de fuga. Segundo o empresário Paulo Figueiredo, Ramagem deve permanecer nos Estados Unidos enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo político.
Condenado pelo STF em setembro do ano passado, Ramagem recebeu pena de 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, por participação em trama golpista. Entre os crimes atribuídos a ele estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, Ramagem é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de utilizar o órgão para monitorar opositores e disseminar críticas ao processo eleitoral. Ele deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos enquanto ainda havia possibilidade de recurso, antes do trânsito em julgado da condenação.
* Com informações de CNN Brasil





