• Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

BC depõe que reunião em junho deu certeza sobre fraude no Master

Diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, identificou carteira falsa depois de encontro com a Cartos e a Tirreno.

O diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino, afirmou em 30 de dezembro, em depoimento à Polícia Federal, que a autoridade monetária teve certeza das fraudes em carteiras do Banco Master após reunião com representantes da Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. e da Tirreno.

A única reunião pública com a empresa agendada depois da negociação de aquisição com o BRB (Banco de Brasília) foi em 27 de junho de 2025, na sede do Banco Central, em Brasília.

Aquino declarou à PF que o Banco Central teve certeza da inexistência dos títulos durante reunião com representantes de duas empresas: a Cartos e a Tirreno. Ele afirmou que André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno, teria dito que “gerou” mais de R$ 6 bilhões em créditos na empresa, o que seria “impossível” dado o porte da companhia.

Aquino declarou à PF que a reunião foi informada em agenda pública, divulgada no site.

Janaina Pereira Lima Palazzo, delegada da Polícia Federal, disse, antes do depoimento, que Aquino seria ouvido “em algo parecido com uma situação de testemunha”.

Aquino tratou sobre a emissão de CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) sem lastro do Banco Master. A instituição financeira teve um crescimento exponencial, mas tinha elevados problemas de insolvência e liquidez. O Banco Central acusa a empresa de gestão fraudulenta para maquiar a contabilidade.

A delegada demonstrou interesse sobre o envolvimento da Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A, uma companhia com sede em São Paulo que é investigada por ter “originado” uma carteira de R$ 6,7 bilhões em créditos consignados em operações inexistentes. O Master obteve um pedaço dos papéis da empresa e vendeu ao BRB sem lastro.

A delegada disse à Aquino que houve uma divergência entre os depoimentos do Banco Master e do BRB (Banco de Brasília). Enquanto o Master dizia que os créditos eram verdadeiros, a estatal declarou que o extrato era uma “ficção” e que nunca recebeu os valores.

O Poder360 teve acesso a trecho da acareação em vídeo.

Assista (4min02):

Aquino declarou que está nos autos e na comunicação feita ao Ministério Público Federal o estrato de que o Banco Master informou ter levantado R$ 6,695 bilhões com a Tirreno.

“A Cartos é uma empresa pequena. A Tirreno é uma empresa desconhecida. Quem aparece como Cartos-Tirreno é o senhor André. E eu pergunto várias vezes: ‘Quanto você gerou de crédito?’. Ele começa: ‘Eu girei R$ 50 milhões. Eu girei R$ 30 milhões. Eu girei R$ 50 milhões’. A gente sabia que ele não geraria”, disse o diretor do Banco Central.

Aquino declarou que alguns diretores da Cartos declararam, posteriormente, que nunca “ouviram falar na Tirreno”. E completou: “Ao fim e ao cabo, o André responde: ‘não foi R$ 200 milhões, não foi R$ 300 milhões. Nós geramos R$ 6,2 bilhões. Isso é impossível do ponto de vista técnico”.

O Banco Central identificou que não houve fluxos financeiros de Pix, TEDs ou operações cambiais que lastrem as operações. Ele declarou que o único relacionamento no sistema financeiro da Tirreno é com o Banco Master.

A agenda pública de Aquino mostra que, em 27 de junho de 2025, houve uma reunião entre as seguintes pessoas da Cartos Sociedade de Crédito Diretor S.A.:

O encontro foi na sede do Banco Central, em Brasília, para tratar de assuntos de supervisão. Em 2 de julho, realizou uma reunião com Vorcaro e Augusto Lima em Brasília. André é um dos investigados pela Polícia Federal no inquérito sobre fraude bilionária do Master.

O Banco Central liquidou extrajudicialmente o Banco Master em 18 de novembro de 2025. Acusou a instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões.

Em novembro, a autoridade monetária deixou de fora da sanção o Will Bank, instituição financeira que era do conglomerado do Master. Em janeiro, porém, o BC liquidou o Will Bank. Não havia tomado a decisão antes pelo papel de “inclusão” da empresa, que tem maior parcela da clientela composta por classes C, D e E, segundo o Banco Central.

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Por: Poder360

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