• Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Após negociações, Irã afirma que não cederá a ameaças dos EUA

Irã reage a bloqueio no Estreito de Ormuz e presidente do parlamento afirma que não cederá a ameaças de Donald Trump

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, que liderou as negociações de paz com os Estados Unidos, afirmou, neste domingo (12), que o Irã não cederá às ameaças feitas por Donald Trump. A declaração foi dada logo após o presidente americano ordenar um bloqueio naval no Estreito de Ormuz.

"Se eles lutarem, nós lutaremos, e se vierem com lógica, responderemos com lógica. Não cederemos a nenhuma ameaça; que testem nossa determinação mais uma vez para que possamos lhes dar uma lição ainda maior", disse o parlamentar.

Vale lembrar que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou neste domingo (12) em suas redes sociais que será realizado um bloqueio imediato ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás mundial.

A decisão ocorre um dia depois de os EUA afirmarem que dois navios de guerra entraram no local, o que pode trazer consequências para outros países que também fazem uso da via.

"Com efeito imediato, a Marinha dos EUA, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", avisou Trump na rede Truth Social. Ele afirmou, ainda, que todos os navios em águas internacionais que pagaram um pedágio ao Irã serão interceptados: "Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar."

No último sábado, os contratorpedeiros norte-americanos USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy realizaram uma incursão ao Estreito de Ormuz para localizar e remover minas marítimas. Segundo o Pentágono, a missão partiu do Golfo de Omã e retornou ao ponto de origem após a varredura. Durante a operação, os EUA abateram um drone de vigilância iraniano, embora não representasse ameaça imediata, o abate visou impedir o monitoramento da frota.

O clima de tensão foi evidenciado por áudios obtidos pelo Wall Street Journal, nos quais militares iranianos emitiram um "último aviso" via rádio. Em resposta, os americanos reafirmaram que navegavam sob o direito internacional e em conformidade com o cessar-fogo. Enquanto Teerã nega a entrada das embarcações em suas águas, Washington mantém que a operação foi concluída com sucesso, buscando garantir a segurança comercial na rota sem comprometer as sensíveis negociações diplomáticas em curso.

Estados Unidos (EUA) e Irã não conseguiram chegar a um acordo após mais de 21 horas de negociações. As conversas intensas ocorreram em Islamabad, capital do Paquistão, e as delegações deixaram o país neste domingo (12). Com a falta de acordo, os impasses sobre pontos, como o programa nuclear iraniano, permanecem.

JD, vice-presidente dos EUA, relatou que os iranianos não concordaram com termos apresentados por Washington, que, conforme ele, são “bastante flexíveis”.

“Já estamos nisso há 21 horas e tivemos várias discussões substanciais com os iranianos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que não conseguimos avançar”, afirmou Vance durante coletiva em Islamabad.

Conforme o vice-presidente, o principal ponto de discórdia foi a recusa de Teerã em assumir um compromisso firme de abandonar o desenvolvimento de armas nucleares. “Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear”, afirmou ele, que completou: “Partimos daqui com uma proposta muito simples, nossa oferta final e melhor”.

Por outro lado, a agência de notícias semioficial Tasnim apresentou outra versão diferente por parte dos iranianos. Conforme a agência, as exigências americanas foram “excessivas”.

“As negociações terminaram e, devido ao excesso de zelo e ambições dos EUA, não foi possível chegar a uma estrutura comum”, garantiu.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse, também, que houve acordo em alguns pontos, mas divergências em “dois ou três pontos-chave” impediram um avanço mais amplo.

Por: Redação

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