• Terça-feira, 9 de junho de 2026

Após mais de 100 anos, um dos “burros mais raros do mundo” volta a nascer na natureza

Com menos de 600 indivíduos vivendo em estado selvagem, o onagro conhecido como um dos "burros mais raros do mundo" — registrou seu primeiro nascimento na Arábia Saudita em mais de um século, reacendendo a esperança para a sobrevivência da espécie.

Conhecido como um dos “burros mais raros do mundo“, o onagro acaba de protagonizar um acontecimento histórico. Após mais de um século sem nascimentos registrados na Arábia Saudita, um filhote da espécie veio ao mundo na Reserva Real Príncipe Mohammed bin Salman, reacendendo a esperança para a recuperação de um animal que hoje possui menos de 600 exemplares vivendo na natureza.

O feito ocorreu na Reserva Real Príncipe Mohammed bin Salman, uma das principais iniciativas de restauração ecológica do Oriente Médio. O macho nasceu em junho de 2025, mas sua existência só foi divulgada oficialmente após completar o primeiro ano de vida — considerado o período mais crítico para a sobrevivência da espécie, cuja taxa de mortalidade dos filhotes pode ultrapassar 50%.

Embora pouco conhecido fora dos círculos da conservação ambiental, o onagro (Equus hemionus) pertence ao mesmo grupo biológico dos cavalos, zebras e burros domésticos.

Conhecido também como burro selvagem-persa, o animal é considerado um dos equídeos mais antigos do planeta. Seus ancestrais percorriam desertos e estepes do Oriente Médio muito antes da domesticação dos cavalos. Adaptado a ambientes extremos, o onagro suporta altas temperaturas, escassez de água e grandes deslocamentos em busca de alimento.

Menor que um cavalo e mais veloz que muitos imaginam, o animal pode atingir velocidades próximas de 70 km/h. Sua pelagem clara ajuda a refletir o calor intenso dos desertos, enquanto sua resistência física o tornou um dos símbolos da fauna selvagem das regiões áridas da Ásia.

Durante séculos, os onagros ocuparam vastas áreas da Península Arábica, Irã, Síria, Jordânia e outras regiões do Oriente Médio. No entanto, a expansão humana, a caça excessiva e a perda de habitat provocaram uma redução dramática das populações ao longo do século XX.

O desaparecimento da espécie na Arábia Saudita ocorreu no início dos anos 1900. Desde então, o animal passou a existir apenas em pequenos núcleos isolados em algumas regiões da Ásia.

A situação tornou-se tão preocupante que especialistas alertam para o risco contínuo de desaparecimento. Atualmente, menos de 600 exemplares permanecem vivendo em estado selvagem, tornando o onagro uma das espécies de grandes mamíferos mais ameaçadas do mundo.

O nascimento não aconteceu por acaso.

Ele é resultado de um programa de reintrodução iniciado em 2024, quando sete onagros foram transferidos da Jordânia para a Reserva Real Príncipe Mohammed bin Salman. A iniciativa faz parte de um amplo projeto de restauração ecológica que busca devolver espécies nativas aos ambientes onde elas desapareceram há décadas ou séculos.

O objetivo vai além da simples reprodução dos animais. A proposta é reconstruir populações autossustentáveis capazes de sobreviver sem intervenção humana no longo prazo.

O nascimento do filhote demonstra que os animais conseguiram se adaptar ao ambiente e iniciar um processo natural de reprodução, algo considerado fundamental para o sucesso de qualquer programa de reintrodução.

O resultado positivo levou os gestores da reserva a ampliarem os esforços de conservação.

Crescimento e otimismo

A expectativa é que outros dois filhotes nasçam durante o próximo inverno. Paralelamente, novas fêmeas deverão ser incorporadas ao programa para aumentar a diversidade genética da população e reduzir riscos de consanguinidade, um dos maiores desafios enfrentados por espécies ameaçadas.

Segundo os responsáveis pela reserva, a formação de diferentes grupos reprodutivos deverá aumentar a capacidade de adaptação da espécie e fortalecer sua sobrevivência no longo prazo.

Em um cenário global marcado pela perda acelerada de biodiversidade, o nascimento de um único animal pode parecer insignificante. Mas, para espécies criticamente ameaçadas, cada filhote representa uma oportunidade concreta de recuperação.

O caso do onagro é considerado um exemplo do chamado “rewilding”, estratégia utilizada em vários países para restaurar ecossistemas por meio da reintrodução de espécies desaparecidas. Na reserva saudita, o programa prevê a reintrodução de 23 espécies nativas em seus habitats históricos.

Mais do que aumentar números populacionais, iniciativas desse tipo ajudam a recuperar funções ecológicas perdidas, restaurar cadeias alimentares e fortalecer a resiliência dos ecossistemas diante das mudanças climáticas.

Enquanto muitas manchetes ao redor do mundo relatam o desaparecimento de espécies, a história do onagro segue um caminho diferente.

O nascimento do primeiro filhote em solo saudita em mais de um século mostra que esforços de conservação podem gerar resultados concretos quando há investimento, planejamento e proteção dos habitats naturais.

Para uma espécie conhecida como o burro mais raro do mundo, cada novo nascimento representa muito mais do que um aumento populacional. Representa a chance de evitar que um dos animais mais antigos dos desertos da Terra desapareça para sempre.

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Por: Redação

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