• Terça-feira, 9 de junho de 2026

Greening, pior praga da citricultura, é detectada no RS e acende alerta

Ministério da Agricultura e governo gaúcho mobilizam equipes após foco ser identificado no norte do estado; principal suspeita é contaminação por mudas irregulares

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmaram, nesta segunda-feira (8), os primeiros casos de greening (Huanglongbing - HLB) em plantas cítricas no território gaúcho. Considerada a doença mais devastadora da citricultura mundial, a enfermidade foi detectada em um pomar doméstico com cerca de 20 mudas no município de Palmitinho, localizado na Região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina.

A confirmação laboratorial acendeu o alerta máximo para as autoridades fitossanitárias. A principal hipótese do Serviço Oficial é de que a introdução da praga no estado tenha ocorrido por meio da aquisição de mudas irregulares e já contaminadas. Equipes do Departamento de Defesa Vegetal (DDV/Seapi) e da Superintendência Federal de Agricultura (SFA-RS/Mapa) já foram mobilizadas para a região para delimitar o foco e adotar medidas rigorosas de contenção.

Seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening (Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025), o protocolo fitossanitário exige a erradicação imediata de todas as plantas infectadas no local. Além disso, será realizado um controle químico e biológico rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto vetor responsável por transmitir a bactéria causadora da doença.

Apesar da gravidade para o setor produtivo, as autoridades ressaltam que o greening não oferece qualquer risco à saúde humana ou ao consumo das frutas. O impacto é estritamente econômico: a doença causa o amarelecimento das folhas, deformação, redução do tamanho e amargor dos frutos, levando à perda total da qualidade comercial e, eventualmente, à morte de laranjeiras, limoeiros e bergamoteiras.

O Rio Grande do Sul mantém um programa permanente de vigilância contra o greening desde 2004, ações que foram intensificadas nos últimos anos devido ao avanço da doença na Argentina, no Uruguai e em Santa Catarina. Recentemente, entre novembro de 2025 e março de 2026, o DDV monitorou 374 armadilhas em 77 municípios gaúchos para rastrear o inseto vetor.

O diretor do DDV, Ricardo Felicetti, ponderou que a localização do primeiro foco traz um alento para o setor estruturado. “Felizmente, a confirmação ocorreu em um pomar doméstico localizado em uma região sem grande concentração de citricultura comercial. Vamos adotar todas as medidas necessárias para impedir a disseminação da doença para outras regiões do Estado”, destacou Felicetti.

O foco agora se volta para a fiscalização do trânsito de material propagativo e inspeções em pomares comerciais vizinhos. O Serviço Oficial reforça a orientação crucial aos produtores: a compra de mudas cítricas deve ser feita exclusivamente de viveiros registrados, que cumpram a legislação Federal de produção em ambiente protegido e a partir de matrizes certificadas.

Por: ITATIAIA

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