O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), participou da Agrishow nesta terça-feira (28) e fez fortes críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e à gestão econômica do governo Lula.
Zema usou uma camisa com a estampa 'Chega de Intocáveis' e rebateu comentários recentes dos ministros Gilmar Mendes sobre seu modo de falar. O ex-governador classificou o Supremo como um "tribunal de negócios" e atacou o que chamou de "gastança" do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado sobre críticas de ministros do STF ao seu sotaque e uso da língua, Zema afirmou que seu "mineirês" é a língua de quem trabalha e sugeriu que o isolamento em Brasília afetou a percepção dos magistrados.
"Acho que o ministro é que está utilizando um português muito esnobe, por estar isolado da sociedade. Ele deveria comparecer a um evento como esse para perceber que eu converso a mesma língua do produtor rural", disse o ex-governador.
Zema ainda associou o comportamento dos ministros à baixa credibilidade da Corte: "O Supremo hoje é o instituto público que tem menos credibilidade no Brasil. Precisamos mudar essa visão desses 'intocáveis'. Esse preconceito com meu português demonstra o distanciamento deles com a sociedade".
"Ele investiga o que ele quiser. Sátira em democracia é a coisa mais comum. Lá em Minas fizeram todo tipo de boneco meu e encarei com naturalidade. Agora, ministro do Supremo tem medo de fantoche? Se serviu para ele, é porque a carapuça encaixou”, disse.
O candidato também defendeu uma mudança profunda no setor, afirmando que o STF tem se transformado em um "Tribunal de Negócios".
No campo econômico e de gestão, Romeu Zema direcionou críticas severas à condução da política fiscal e ao comportamento do governo federal. Sobre a taxa de juros, o ex-governador afirmou que o cenário atual "inviabiliza negócios" e ironizou o discurso social da gestão atual ao declarar que "o governo diz ser pai dos pobres, mas é pai dos bilionários, que ganham sem trabalhar" através dos rendimentos financeiros.
Ao questionar os gastos públicos da Presidência, Zema utilizou como exemplo as despesas de viagens internacionais, citando especificamente o custo de R$ 800 mil em um hotel na Alemanha. Para ele, o valor é exorbitante, comentando que a quantia "daria para eu morar o resto da vida no hotel em Ribeirão".
Como contraponto, o candidato ressaltou seu zelo pessoal com o dinheiro público durante seu período na gestão estadual, relembrando que, como governador, sempre morou em casa alugada e abriu mão de mordomias, como o uso de helicópteros para deslocamentos.
Zema evitou nacionalizar polêmicas envolvendo aliados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, que também se lançou como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Questionado sobre "passado criminoso", ele desconversou: "Estou me referindo a mim. O Brasil precisa de um presidente ficha limpa, com grandeza moral. Eu ralo desde os cinco anos de idade separando porca e parafuso."
Sobre a composição de chapa e a escolha do vice, o ex-governador afirmou que a decisão caberá ao Partido Novo, sob o comando de Eduardo Ribeiro, embora pretenda participar das discussões. Para o segundo turno, ele afirmou: "Estaremos todos juntos para tirar o PT de lá".





