Com a língua ensaia e discursos fortemente ideológicos, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), aposta em ser um postulante “radicalmente liberal”, com defesa extensiva de pautas privatistas, endurecimento de políticas de segurança pública e flexibilização de leis trabalhistas e previdenciárias.
A estratégia ficou evidenciada após uma série de entrevistas na última semana, em que o ex-chefe do Palácio Tiradentes defendeu a legalização do trabalho para menores de idade, intervenção federal no Rio de Janeiro e em qualquer estado com controle de território por facções criminosas, privatização da Petrobras e da Caixa Econômica Federal, além de uma nova reforma da previdência que retire ganhos reais para os vencimentos de aposentados e pensionistas.
De acordo com o marqueteiro e estrategista da campanha de Zema, Renato Pereira, o objetivo é tratar de pautas “tabu” para disseminar políticas públicas defendidas pelo pré-candidato ao eleitorado. “Zema está defendendo aplicar no Brasil a receita que aplicou em Minas. Zema cortou quase 50 mil cargos em Minas. Foi assim que ele tirou o Titanic do fundo do buraco, privatizou para caramba em Minas. Privatizou dezenas de subsidiárias da Cemig em Minas. A única saída (para o Brasil) é cortar a dívida pública para cortar os juros, não se faz isso sem cortar gastos correntes e privatizar”, declarou.
Questionado se Zema está, neste momento, defendendo pautas mais à direita do que Flávio Bolsonaro (PL), representante direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto, Pereira nega, e afirma que o senador é parte de uma direita “nacionalista, um pouco saudosista da ditadura, extremamente autoritária e estatizante”, o que, em sua visão, está distante do que representa o ex-governador no debate público.
“De que adianta oferecer ganhos reais aos aposentados e do outro lado ter juros na casa de dois dígitos que faz com que todos os empréstimos sejam impagáveis? O que ele está propondo é colocar o Brasil no rumo certo. A prioridade absoluta é cortar a dívida brasileira para baixar o juros, só se faz isso privatizando e cortando a taxa de juros. O que está acontecendo com o Zema não é ser mais à direita do que o Flávio, mas tendo uma conversa verdadeira com os brasileiros”, defende Renato Pereira.
O marqueteiro argumenta que seu pré-candidato fala com o “Brasil real”, não com o “Brasil fictício na cabeça da esquerda”. “Isso não o coloca mais à direita do que Flávio, o coloca tratando de temas que normalmente não se fala. O Zema está falando sobre o Brasil real, não no Brasil fictício na cabeça da esquerda. Temas que são normalmente tabu, é uma contribuição e tanto para o debate público brasileiro”, pontua.
O principal desafio da pré-campanha de Zema ainda é vencer o desconhecimento, conforme Renato Pereira. Para o marqueteiro, o ex-governador, agora, está ganhando relevância no debate nacional, o que ainda precede os ganhos em relação à intenção de voto nas pesquisas eleitorais e a notoriedade de sua figura frente à população.
“Primeiro se torna relevante, depois se torna conhecido pelos brasileiros, em parte querido pelos brasileiros, e enfim a intenção de voto. O Caiado sumiu do debate político brasileiro, está todo mundo falando em Zema. Seja pela questão do STF, seja pela questão da privatização, seja pela questão dos aposentados. Falar desses temas, que não são temas inventados, estão na agenda do Brasil, sempre estiveram na linha política do Novo, que sempre foi um partido liberal, tratando de temas tabu. O caminho na verdade é qual é a minha pauta e essa pauta está chamando a atenção”, conclui.
Além disso, Pereira frisa a importância da relevância conquistada pelo ex-governador como um combustível para o partido Novo, que passa a estar mais engajado na eleição. “Independente de mexer nas pesquisas, faz o Zema mais relevante na eleição, faz o novo estar mais engajado, terem votos, incendeia o partido”, finaliza.





