Em mensagens trocadas com a então namorada Martha Graeff, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou que o seu então sócio, Augusto Ferreira Lima, que também é alvo do inquérito da Polícia Federal, agrediu a mulher, Flávia Peres, ex-deputada e ex-ministra da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro (PL).
Questionada pelo Poder360, Flávia Peres disse que “jamais” ocorreu um episódio de agressão e que as informações são “falsas, levianas e não correspondem à realidade”.
Nas mensagens, enviadas em 29 de agosto de 2025, Vorcaro diz que um “governador” tem um boletim de ocorrência indicando que o empresário Augusto Lima, dono do Credcesta e ex-CEO do Master, agrediu a mulher no final de semana, de 23 a 24 de agosto.
“Governador tem um BO que augusto bateu na flavia esse final semana [sic]”, disse Vorcaro.

Em nota, a defesa de Augusto Lima negou as falas de Vorcaro e declarou que se tratam de informações “mentirosas” e “caluniosas”.
Nas conversas colhidas pelos investigadores da PF, Vorcaro indica que há uma relação de proximidade com Lima e Peres. Em uma das mensagens para a namorada, em janeiro de 2025, Vorcaro queixou-se de que o Augusto Lima ficou incomodado por não terem ido para a festa de aniversário de Flávia Peres.
Embora Vorcaro não tenha citado nomes, o Poder360 entrou em contato com a assessoria de imprensa do governador Ibaneis Rocha (MDB) para perguntar se ele gostaria de se manifestar sobre as mensagens do banqueiro. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A ex-ministra do governo Bolsonaro iniciou a carreira política em 2007 como a primeira-dama do Distrito Federal, enquanto era casada com José Roberto Arruda (PSD) –que deixou o governo do Distrito Federal em 2010. Depois, em 2014, Flávia foi candidata a vice-governadora do DF, na chapa com Jofran Frejat (PL).
Em 2018, ela foi eleita deputada federal PL-DF e licenciou-se do mandato para assumir o Ministério da Secretária Geral do governo Bolsonaro. Ficou no cargo de março de 2021 até março de 2022. Ela se separou do ex-governador José Roberto em novembro de 2022. Tentou ser eleita senadora nas eleições do mesmo ano, mas não conseguiu.
Depois, em janeiro de 2024, Flávia se casou com o empresário e dono do Credcesta, Augusto Ferreira Lima.
Economista, Augusto Lima comprou em 2018 a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), do governo estadual. O negócio incluiu a rede de supermercados Cesta do Povo e um cartão de pagamentos, o Credicesta (que mais tarde se tornaria Credcesta). Ele pagou R$ 15 milhões no leilão e ficou com as dívidas da Ebal. Havia sido a 3ª tentativa de privatização realizada por Costa.
Lima foi preso preventivamente na 1ª fase da operação Compliance Zero, em 18 de novembro de 2025, e posteriormente, foi solto e submetido a medidas cautelares diversas.
O empresário tem relações com vários políticos, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Também é próximo de pessoas do lado oposto do espectro político, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente do União Brasil.
Ele deixou a sociedade com Vorcaro em maio de 2024. Comprou do Master o Banco Voiter (atual Banco Pleno) em junho de 2025. O Banco Central determinou a liquidação da instituição financeira em 18 de fevereiro.
Leia a nota de Flávia Peres:
“Repudio com veemência o teor das mensagens vinculadas a mim.
“Reajo com indignação e afirmo de forma categórica que esse episódio jamais ocorreu e as informações são falsas, levianas e não correspondem à realidade.
“Lamento profundamente este tipo de exposição pública baseada em informações inverídicas e irresponsáveis, especialmente quando propagadas sem qualquer verificação mínima dos fatos.
“Diante da gravidade das declarações, tomarei todas as providências cabíveis para a devida responsabilização pelos danos causados.”
Leia a nota da defesa de Augusto Lima:
“A defesa de Augusto Lima afirma que o conteúdo mencionado pela reportagem é mentiroso. Augusto Lima jamais praticou qualquer agressão e nunca houve qualquer boletim de ocorrência. A afirmação é caluniosa.
“A defesa vem também repudiar o vazamento criminoso de mensagens privadas, cuja divulgação fora do contexto legal configura grave violação de direitos e afronta às garantias fundamentais.
“Diante da gravidade do ocorrido, a defesa informa que tomará todas as medidas cabíveis para apurar as devidas responsabilidades.”






