
Bezerro volta a superar R$ 3 mil e atinge maior patamar real desde 2021
Com oferta mais enxuta e demanda aquecida para exportação, reposição avança em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea
Com oferta mais enxuta e demanda aquecida para exportação, reposição avança em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea Os preços dos animais de reposição iniciaram 2026 em forte movimento de alta. O bezerro Nelore, de 8 a 12 meses, já é negociado acima de R$ 3.000 por cabeça na maior parte das 28 regiões acompanhadas pelo Cepea, consolidando um novo ciclo de valorização no mercado pecuário. Em Mato Grosso do Sul, uma das principais praças de referência do País, o bezerro foi comercializado em fevereiro à média de R$ 3.158,74 por cabeça, conforme o Indicador CEPEA/ESALQ. Em termos reais — com valores deflacionados pelo IGP-DI — trata-se do maior patamar desde dezembro de 2021. O ritmo de valorização continua. Na parcial de março, a média já atinge R$ 3.236,30 por cabeça. No acumulado de 12 meses, o bezerro sul-mato-grossense registra alta superior a 20%, refletindo um ambiente de maior disputa pela reposição. window._taboola = window._taboola || [];
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Foto: Nelore CEN / Rurally Oferta restrita e demanda firme sustentam altas Pesquisadores do Cepea atribuem o movimento principalmente à menor oferta de machos no mercado, consequência direta da fase anterior do ciclo pecuário, marcada por maior retenção de fêmeas e ajustes no volume de nascimentos. Do lado da demanda, o cenário também é determinante. A procura aquecida dos frigoríficos por lotes de boi gordo, especialmente para atender às exportações, mantém os pecuaristas terminadores ativos na recomposição de plantel. Essa dinâmica sustenta a compra tanto de bezerros quanto de boi magro, reforçando a pressão altista sobre os preços da reposição. Há ainda o componente sazonal. Historicamente, março e maio figuram entre os meses de maior valorização da reposição, período em que confinadores e recriadores intensificam as aquisições para substituir os bois gordos que deixam as fazendas. A última vez acima de R$ 3 mil: o ciclo de 2021 A última vez que o bezerro havia atingido, de forma consistente, o patamar acima de R$ 3 mil foi em 2021, auge do ciclo de alta da pecuária brasileira. Naquele momento, a forte demanda internacional pela carne bovina brasileira e a oferta restrita de animais jovens impulsionaram as cotações da reposição a níveis recordes. Em dezembro de 2021, referência agora superada em termos reais, o mercado operava sob forte valorização da arroba do boi gordo. Em diversas praças, a arroba chegou a superar R$ 300, sustentando margens positivas para recriadores e justificando a compra de bezerros em patamares historicamente elevados.
Naquele contexto, a relação de troca entre boi gordo e bezerro também esteve pressionada, exigindo maior eficiência produtiva dos sistemas de recria e engorda. O cenário atual reacende comparações com aquele período, embora o mercado opere sob fundamentos distintos, especialmente em relação ao volume de exportações e à recomposição do rebanho. Debate reacendido no campo O avanço recente já provoca discussões sobre até onde a valorização pode chegar. Reportagem publicada pelo portal Compre Rural destacou que o preço do bezerro reacendeu o debate no campo, com projeções que não descartam a possibilidade de o animal atingir o equivalente a R$ 30 por quilo em determinadas regiões. Para analistas, no entanto, a sustentabilidade desse patamar dependerá do comportamento da arroba do boi gordo nos próximos meses. Caso a indústria mantenha o apetite por compras — sobretudo diante do mercado externo firme — o ciclo de valorização da reposição pode ganhar novo fôlego. Por outro lado, eventuais ajustes na demanda ou na oferta de animais terminados podem reequilibrar as cotações. No momento, o fato é claro: o bezerro voltou a operar acima de R$ 3 mil em grande parte do Brasil, retomando níveis que não eram observados, em termos reais, desde o pico do ciclo pecuário de 2021 — um movimento que recoloca a reposição no centro das atenções do setor.

Por: Redação





