O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu nesta terça-feira (10) o julgamento que analisa a decisão do presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, de suspender a divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel relacionada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A análise foi paralisada após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para examinar o caso. Com isso, permanece válida a decisão liminar que retirou o levantamento de circulação até que o processo volte à pauta do tribunal.
O caso vem sendo acompanhado com atenção por integrantes da Justiça Eleitoral e do meio político por envolver questionamentos sobre a metodologia utilizada em pesquisas eleitorais e os limites de sua divulgação durante o período pré-eleitoral. Ao conceder a liminar, Nunes Marques entendeu que havia indícios de que a estrutura do questionário poderia ter influenciado as respostas dos entrevistados. Segundo o ministro, uma análise preliminar apontou que a sequência de perguntas utilizada no levantamento poderia ultrapassar o objetivo de medir a opinião pública e, potencialmente, interferir nas respostas relacionadas à intenção de voto, rejeição e imagem do pré-candidato.
A ação foi apresentada pelo Partido Liberal (PL), que contestou especialmente a inclusão de referências a um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro envolvendo repasses para o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro ponto destacado na decisão foi o fato de que outras pesquisas registradas anteriormente pela AtlasIntel não teriam utilizado metodologia semelhante.
Durante o julgamento, representantes da AtlasIntel defenderam a regularidade do levantamento e negaram qualquer tentativa de induzir os entrevistados. Em nota, a empresa afirmou que o áudio citado não foi reproduzido antes da aplicação das perguntas principais e sustentou que pesquisas posteriores realizadas por outros institutos identificaram resultados semelhantes em relação à avaliação do senador.
Segundo a AtlasIntel, levantamentos divulgados por institutos como Quaest e Datafolha também registraram mudanças nos índices relacionados à imagem e ao desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro.
Ainda não há prazo definido para que o processo retorne à pauta do tribunal. Até lá, a suspensão da divulgação da pesquisa permanece em vigor.





