• Segunda-feira, 11 de maio de 2026

Trump reage a resposta do Irã sobre proposta dos EUA: 'Totalmente inaceitável'

Réplica iraniana pede fim do conflito em todas as frentes e garantias contra um novo ataque norte-americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste domingo (10), que a resposta do Irã à proposta enviada pelos Estados Unidos para pôr fim à guera no Oriente Médio é "totalmente inaceitável".

A resposta iraniana foi entregue ao Paquistão, país que está mediando as negociações. No texto, o país persa destaca a necesidade de encerrar o conflito em todas as frentes e pede garantias contra um novo ataque norte-americano, segundo divulgado pela agência semioficial do Irã, Tasnim.

A proposta também ressalta a necessidade de suspender, por 30 dias, as sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos Estados Unidos, sobre as vendas de petróleo iraniano e de encerrar o bloqueio naval contra o Irã.

Em uma publicação na própria rede social, a Truth Social, Donald Trump escreveu: "Acabei de ler a resposta dos chamados ‘Representantes’ do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!".

O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, ameaçou reagir caso embarcações iranianas sejam atacadas.

"Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas", escreveu Rezaei na rede X.

No Irã, o chefe militar Ali Abdollahi se reuniu com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei. Segundo a televisão estatal iraniana, ele recebeu "novas diretrizes e instruções" para a continuidade das operações militares.

A Guarda Revolucionária Islâmica também ameaçou atacar interesses americanos no Oriente Médio caso petroleiros iranianos sejam novamente alvo de ações militares.

Na sexta-feira (8), um caça americano disparou contra dois navios iranianos, segundo autoridades de Teerã, inutilizando as embarcações. "Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos resultará em um forte ataque contra um dos centros americanos na região e contra navios inimigos", afirmou a Guarda Revolucionária.

O Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para transporte de petróleo, gás e fertilizantes, como forma de pressionar economicamente os Estados Unidos e seus aliados. Em resposta, a Marinha americana intensificou operações de bloqueio e interceptação de navios ligados ao Irã.

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

Por: ITATIAIA

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