• Segunda-feira, 11 de maio de 2026

Hantavírus: francês apresenta sintomas após ser repatriado de cruzeiro

Repatriado apresentou sintomas após pouso na França; autoridades espanholas coordenam desembarque de 150 ocupantes do navio

Um francês repatriado neste domingo (10) apresentou sintomas após ser retirado do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, informou o primeiro-ministro do país, Sébastien Lecornu. Enquanto isso, autoridades espanholas coordenam o desembarque de cerca de 150 ocupantes do navio em Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha.

Os passageiros, vestidos com trajes azuis de proteção, desceram em pequenos grupos do cruzeiro Hondius, no porto de Granadilla. Do navio, eles foram levados até o pequeno píer com lanchas, segundo observou uma jornalista da AFP.

A embarcação partiu em 1º de abril da Argentina antes de sofrer o surto que matou três pessoas que estavam embarcadas. Até o início da tarde deste domingo (10) já haviam partido os aviões com os espanhóis, os franceses e os canadenses, além de uma aeronave holandesa que transporta pessoas de diversas nacionalidades, entre elas um argentino e um guatemalteco.

Após a chegada à França de cinco cidadãos repatriados, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou que um deles apresentou "sintomas no avião".

"Esses cinco passageiros foram colocados imediatamente em isolamento rigoroso até novo aviso", indicou Lecornu, que também anunciou que o governo emitirá um decreto para implementar essas medidas.

A diretora de Proteção Civil espanhola, Virginia Barcones, declarou que, se tudo ocorrer "conforme o previsto, o navio zarpará rumo aos Países Baixos às 19h00" (15h em Brasília) desta segunda-feira (11).

Os primeiros a sair foram 14 espanhóis levados ao aeroporto de Tenerife Sul em ônibus vermelhos da Unidade Militar de Emergência (UME), com a parte do motorista separada dos passageiros por uma espécie de barreira profilática.

Ao chegarem ao aeroporto, eles trocaram os trajes de proteção e foram desinfetados antes de decolar em direção a Madri, onde serão enviados a um hospital militar para cumprir quarentena. A mesma operação ocorrerá com os demais passageiros e membros da tripulação de outras nacionalidades.

Para Karin Ellen Veldkamp, encarregada da unidade médica nos Países Baixos que trata de um dos pacientes diagnosticados, o hantavírus é menos transmissível que a covid.

Questionada por jornalistas da Agence France-Presse (AFP) sobre o temor de que o hantavírus possa se tornar "a nova covid", a especialista foi clara: "Não, não é assim. Não se transmite facilmente de pessoa para pessoa", disse. "Sabemos que a transmissão entre pessoas é possível e suspeitamos que aconteceu no navio (...), mas não é como a covid, a transmissão é muito mais fácil", acrescentou Veldkamp.

A operadora da embarcação, Oceanwide Expeditions, informou que três passageiros foram retirados do navio. Dois deles, em estado grave, chegaram à Holanda para receber tratamento médico. O terceiro passageiro não apresenta sintomas no momento, mas está recebendo atendimento médico no país europeu.

Os passageiros retirados são um cidadão britânico, um alemão de 65 anos e um tripulante holandês de 41 anos.Três pessoas morreram desde o início da viagem: um casal holandês e um cidadão alemão.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou à Reuters que a ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa. Ele acrescentou que a organização está ciente de relatos de outros pacientes e que pode haver mais casos devido ao longo período de incubação do vírus.

Por: ITATIAIA

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