O Irã enviou sua resposta à proposta apresentada pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas endureceu o discurso militar e afirmou que a “moderação terminou” diante das ações americanas na região.
Segundo a agência estatal Irna, Teerã encaminhou neste domingo (10), por meio de mediadores paquistaneses, sua resposta ao mais recente texto elaborado por Washington para tentar encerrar o conflito. O conteúdo da resposta não foi divulgado.
De acordo com a agência iraniana, a proposta iraniana se concentra em “pôr fim à guerra e garantir a segurança marítima” no Golfo e no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado anteriormente que esperava receber a resposta iraniana por meio dos mediadores do Paquistão.
No sábado (9), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, questionou a seriedade dos Estados Unidos nas negociações.
Ao mesmo tempo em que ocorrem as tratativas diplomáticas, a tensão militar aumentou no Golfo. Diversos drones atingiram áreas da região neste domingo, incluindo um cargueiro que seguia em direção ao Catar.
O Ministério da Defesa do Catar informou que um navio vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone ao nordeste do porto de Mesaieed. A agência britânica de segurança marítima UKMTO afirmou que o cargueiro relatou ter sido atingido por um projétil desconhecido.
Segundo a UKMTO, houve um pequeno incêndio, rapidamente controlado, sem vítimas ou danos ambientais.
Embora nenhum grupo tenha assumido imediatamente a autoria do ataque, a agência iraniana Fars afirmou que o cargueiro navegava sob bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos.
Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de ser responsável por outro ataque contra seu território. Já o Kuwait informou que neutralizou drones considerados hostis em seu espaço aéreo.
O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, ameaçou reagir caso embarcações iranianas sejam atacadas.
“Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas”, escreveu Rezaei na rede X.
No Irã, o chefe militar Ali Abdollahi se reuniu com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei. Segundo a televisão estatal iraniana, ele recebeu “novas diretrizes e instruções” para a continuidade das operações militares.
A Guarda Revolucionária Islâmica também ameaçou atacar interesses americanos no Oriente Médio caso petroleiros iranianos sejam novamente alvo de ações militares.
Na sexta-feira (8), um caça americano disparou contra dois navios iranianos, segundo autoridades de Teerã, inutilizando as embarcações.
“Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos resultará em um forte ataque contra um dos centros americanos na região e contra navios inimigos”, afirmou a Guarda Revolucionária.
O Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para transporte de petróleo, gás e fertilizantes, como forma de pressionar economicamente os Estados Unidos e seus aliados.
Em resposta, a Marinha americana intensificou operações de bloqueio e interceptação de navios ligados ao Irã.
A guerra no Oriente Médio começou após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro. Desde então, Teerã realizou represálias em diferentes países da região, ampliando a instabilidade internacional e pressionando os preços globais da energia.





