• Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Silo inundado: Saiba como fazer a remoção e prever riscos

Além de resultarem em prejuízos à produção, estruturas danificadas representam um risco potencial para a segurança dos funcionários.

Além de resultarem em prejuízos à produção, estruturas danificadas representam um risco potencial para a segurança dos funcionários. Enquanto a situação delicada persiste no Rio Grande do Sul, os produtores e cooperativas locais estão agora enfrentando o desafio de avaliar os estragos nos silos de grãos. São mais de 4,8 mil estruturas de armazenamento, com capacidade para 1 milhão de toneladas, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O grande problema é que muitos desses silos foram comprometidos, representando um sério perigo para os trabalhadores. As inundações podem resultar na expansão dos grãos, aumentando a pressão interna e potencialmente causando o colapso da estrutura do silo. O risco de explosão também é uma preocupação iminente.
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    Além disso, os grãos armazenados podem fermentar e liberar gases tóxicos, que podem levar a desmaios e, em casos extremos, até mesmo serem fatais. Diante desse cenário, confira algumas orientações sobre as melhores práticas para o manejo seguro desses depósitos. Prevenção de acidentes A primeira medida recomendada é a isolamento das áreas afetadas, a fim de evitar acidentes. A decomposição dos grãos devido à umidade pode gerar gases prejudiciais à saúde humana. Portanto, é fortemente aconselhável não adentrar os silos sem um detector de gases apropriado, conforme orientação da Comissão Técnica da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG) da Abimaq, que emitiu um parecer sobre o assunto. Consulte o fabricante Ao lidar com as consequências das inundações, é crucial aguardar até que as águas recuem e então buscar orientação junto aos fabricantes dos silos e sistemas afetados. Marcelo Roberto Jungbeck, especialista em cálculo estrutural na Kepler Weber, líder nacional na fabricação de sistemas de armazenagem, destaca a complexidade dessas estruturas, que incluem sistemas elétricos. “Durante as inundações, intervenções na estrutura não devem ser realizadas. Após esse período, é fundamental entender a capacidade de suporte de cada componente”, ressalta Jungbeck. Se a empresa fabricante do silo estiver indisponível, Luiz Cesar Mouro, gerente comercial da cooperativa Cotrijuc, com sede em Júlio de Castilhos (RS), aconselha buscar a consultoria de engenheiros civis especializados em estruturas similares. Além dos silos, é crucial ter cautela ao acessar outros espaços confinados, como poços de elevadores e túneis de moegas, devido à formação de gases inodoros que podem causar desmaios sem aviso, alerta Klaus Schemmer, gerente comercial da Kepler. Em um gesto excepcional para os clientes do Rio Grande do Sul, a Kepler Weber está oferecendo uma avaliação gratuita das unidades construídas pela empresa, válida por 60 dias. “Nossas construções são acompanhadas por memorial de cálculo do projeto, o que nos permite realizar avaliações mais precisas”, esclarece Bernardo Nogueira, CEO da empresa. Esvaziamento Controlado Antes de proceder com o esvaziamento dos silos, é imperativo realizar uma avaliação criteriosa, seguida pela autorização de um profissional habilitado. O esvaziamento deve ser realizado de forma controlada, começando de cima para baixo, utilizando métodos de sucção. Desafios da Aeração A Cooperativa Cotrisel ressalta que a utilização de sistemas de aeração pode não ser eficaz na secagem dos grãos localizados na parte inferior do armazém. Recomenda-se também a retirada dos grãos armazenados na porção superior do silo. Manejo de Grãos Secos Caso a parte superior do silo permaneça intacta, com apenas uma pequena quantidade de umidade, o processo de secagem dos grãos torna-se simples e o produto pode ser utilizado sem maiores problemas. Impacto da Compactação A Cotrisel e a Kepler Weber alertam para os desafios associados à remoção de grãos compactados através de dutos, alertando que essa prática pode se tornar inviável. O prolongado período de imersão dos grãos pode levar à decomposição, aquecimento e formação de aglomerados, conforme destacado por Schemmer. Procedimentos de Emergência Em caso de prejuízos, a cooperativa sugere a abertura controlada da estrutura do silo, deixando uma margem de pelo menos 30 centímetros acima do nível atingido pela água. Recomenda-se desparafusar cuidadosamente as chapas laterais para separar os grãos secos dos inundados, atentando-se à integridade dos montantes para evitar sobrecargas estruturais decorrentes do fluxo de descarga lateral. Consultando Especialistas A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aconselha os agricultores a entrarem em contato com os fabricantes antes de procederem com a abertura das chapas laterais. A Kepler Weber ressalta a importância de uma avaliação minuciosa de cada equipamento, uma vez que a remoção inadequada de uma chapa pode comprometer a simetria do silo, resultando em colapsos estruturais. Prevenção contra Riscos de Faísca Como medida de segurança, é fundamental evitar a proximidade de fontes de faísca ao redor do silo durante qualquer atividade que envolva o corte das chapas laterais ou qualquer outra movimentação dentro do silo. Devido à possível acumulação de gases, o risco de explosão é significativo e deve ser levado em consideração. Seleção de Grãos Utilizáveis A utilização dos grãos está condicionada à sua condição de secura e à ausência de agentes patogênicos. Grãos saturados devem ser descartados. De acordo com Mouro, da Cooperativa Cotrijuc, se os grãos permaneceram submersos por um curto período e não apresentam sinais de decomposição ou germinação, é possível secar e utilizar grãos como soja, milho e arroz para diversos fins, como ração, dependendo da formulação específica. Avaliação do Impacto das Enchentes A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está atualmente conduzindo uma avaliação abrangente do impacto das enchentes e inundações nas estruturas de armazenagem de grãos do estado. Silvio Porto, diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, afirma que embora a capacidade estática de armazenamento esteja disponível, ainda não se tem conhecimento do volume de grãos armazenados afetados pelas inundações. Ele observa que, devido à safra em andamento, os principais grãos afetados nos armazéns localizados na região central do estado são soja e arroz. Escrito por Compre Rural VEJA TAMBÉM:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

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