Uma nova fronteira tecnológica foi oficializada para a pecuária brasileira. A raça Canchim tornou-se a segunda no país — logo após a Angus — a receber o selo Beef on Dairy (carne no leite). Denominada Canchim on Dairy, a certificação identifica touros geneticamente superiores para o cruzamento com vacas leiteiras (como as Girolando), transformando o que antes era um subproduto do setor leiteiro em carne de alto valor agregado.
O selo é fruto de uma parceria entre a Embrapa, a Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN), a Associação Nacional de Criadores Herdbook Collares (ANC) e o Promebo.
Historicamente, machos nascidos em fazendas leiteiras possuem baixo valor de mercado. Com o selo, o produtor passa a ter uma segunda fonte de faturamento. O uso do sêmen de touros Canchim certificados garante bezerros (machos e fêmeas) com carcaças mais pesadas e acabamento de gordura superior.
"É uma alternativa que agrega bem-estar animal, evitando o descarte de machos recém-nascidos, que passam a ser recriados e destinados ao abate por possuírem uma carne superior", explicou Cintia Marcondes, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste.
Diferente de raças europeias que sofrem com o calor, o Canchim, por ser uma raça sintética adaptada, apresenta pelagem clara e alta resistência térmica. Isso permite que o touro trabalhe diretamente a campo em regiões quentes, como o Centro-Oeste e o Norte do país.
Dados da Embrapa apontam que bezerros resultantes desse cruzamento podem superar o Nelore em até 15% no peso à desmama, além de apresentar precocidade na deposição de gordura, característica muito valorizada pelos frigoríficos.
Para ostentar a marca Canchim on Dairy, o touro não pode ser apenas "bom visualmente"; ele precisa de comprovação genética via DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie). Os principais requisitos incluem:
Para a presidente da ABCCAN, Cristina Ribeiro, o selo traz segurança e padronização. "A criação de um selo oficial traz reconhecimento e segurança ao mercado. Fortalece a integração entre as cadeias de leite e corte", afirmou.
Além do ganho econômico, a estratégia melhora a sustentabilidade do setor, produzindo mais proteína por quilo de emissão de carbono, já que aproveita a estrutura produtiva já existente nas fazendas de leite para entregar um produto final de padrão internacional.





