Na última semana, o município de Jaguariúna (SP), um dos corações do interior paulista, serviu de cenário para um resgate histórico na música brasileira. Em uma atmosfera que uniu o rústico ao sofisticado, a dupla Chitãozinho & Xororó gravou seu novo DVD, onde celebram o sertanejo clássico no projeto ‘Meninos de Roça’.
A produção, realizada em clima intimista para convidados, não é apenas um novo álbum, mas um manifesto de fidelidade às raízes que moldaram a maior dupla do gênero no país.
Sertanejo clássico no projeto ‘Meninos de Roça’O desejo de revisitar a própria história amadureceu ao longo do último ano. Segundo Xororó, a proposta central é levar para o audiovisual uma sonoridade orgânica, fugindo das fórmulas comerciais momentâneas para focar no que ele define como “essência”. Ao longo das 19 faixas inéditas e regravações, os artistas honram o sertanejo clássico no projeto ‘Meninos de Roça’, inspirados pela música homônima que narra a infância humilde e os primeiros sonhos sob o incentivo do pai.
A cenografia foi um elemento à parte: a gravação ocorreu em frente a um milharal real, simbolizando a base da economia rural e o berço da cultura caipira. Para a dupla, o cenário remete diretamente ao imaginário da infância, onde o lúdico, como os cavalos de pau e caminhões de lata citados na letra, dava lugar aos primeiros acordes que conquistariam o Brasil.
Curadoria estratégica e o mercado do “Modão”Além da carga emocional, o trabalho apresenta uma visão mercadológica apurada. As participações especiais foram selecionadas para conectar diferentes eras da música nacional. De ícones como Almir Sater e Matogrosso & Mathias a novos nomes como Traia Véia e Samy Rico, o DVD demonstra a perenidade do gênero.
Chitãozinho destacou uma mudança significativa no comportamento do consumidor moderno: o público está trocando a euforia das festas de “peão e bebida” pela profundidade das letras que falam ao coração e à família. Essa tendência reforça por que o sertanejo clássico no projeto ‘Meninos de Roça’ surge em um momento de alta demanda pelo chamado “modão”, consolidando sucessos que, assim como o clássico “Fio de Cabelo” (1982), atravessam décadas sem perder a relevância.
Da Galopeira aos 50 anosA trajetória que começou em 1970 com o disco “Galopeira” e atingiu marcas históricas de vendas, ultrapassando 1,5 milhão de cópias com um único álbum na década de 80, vive agora um novo ápice. Após as comemorações de meio século de carreira, a dupla reforça que parar de cantar não é uma opção, mas sim um processo de evolução contínua.
Como bem definiu Chitãozinho durante o evento, o sertanejo é um ciclo de retorno: “A gente sai da roça, mas a roça não sai da gente”. Com este projeto, os músicos provam que a simplicidade do campo, quando tratada com excelência técnica e respeito histórico, permanece como a base mais sólida da cultura popular brasileira.





