O Brasil deve registrar, na safra 2025/2026, uma produção estimada de até 350 milhões de toneladas de grãos. Apesar do volume recorde, apenas cerca de 59% dessa produção conta com capacidade adequada de armazenagem.
Diante desse cenário, o país enfrenta limitações estruturais no sistema de estocagem. O painel de armazenagem da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base em dados do Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (Sicarm), aponta que a capacidade estática do país supera 225 milhões de toneladas, ainda insuficiente para atender à demanda.
Em 2026, a capacidade total de armazenamento no Brasil alcançou 225,26 milhões de toneladas. Desse total, o sistema de granel sólido representa a principal forma de estocagem, com 202,41 milhões de toneladas. Já o armazenamento convencional responde por 22,84 milhões de toneladas. O país conta ainda com 12.116 unidades armazenadoras e 18.752 Certificados de Depósito Agropecuário (CDAs).
Ao longo das últimas décadas, o setor apresentou crescimento consistente. A capacidade total passou de 140,55 milhões de toneladas, em 2010, para 225,26 milhões em 2026, com taxa média anual de expansão de 2,99%. A armazenagem em nível de fazenda avançou em ritmo ainda mais acelerado, com crescimento médio de 3,65% ao ano. O volume estocado nas propriedades rurais saltou de 20,98 milhões de toneladas para 37,25 milhões no período.
A participação das fazendas na capacidade total também aumentou. Em 2010, representava 14,93%; atingiu pico de 17,01% em 2023 e recuou levemente para 16,54% em 2026.
Regionalmente, a infraestrutura de armazenagem permanece concentrada nas principais áreas produtoras. O Centro-Oeste lidera, com 92,63 milhões de toneladas de capacidade e 3.158 unidades. Em seguida, aparece a região Sul, com 74,21 milhões de toneladas e o maior número de unidades armazenadoras do país, somando 5.526. O Sudeste possui 33,10 milhões de toneladas, enquanto o Nordeste conta com 16,61 milhões e o Norte, com 8,69 milhões.
No estados, Mato Grosso (MT) possui a maior capacidade individual do país, com 57,9 milhões de toneladas, seguido pelo Paraná (PR) com 35,9 milhões e Rio Grande do Sul (RS) com 33,4 milhões.





