Em meio às discussões sobre o fim da escala 6×1 no Brasil, uma das maiores produtoras de automóveis do mundo já adota o modelo 5×2 há 100 anos. A Ford, fundada por Henry Ford, em 1903, nos Estados Unidos, adota uma jornada de 40 horas semanais desde 1926. As informações são do g1.
— O país está pronto para a semana de cinco dias [de trabalho]. Seguramente é algo que deve se espalhar por toda a indústria. […] Já é hora de nos livrarmos da ideia de que é ‘tempo perdido’ o lazer dos trabalhadores, ou um privilégio de classe — disse Henry em um discurso em 1° de maio de 1926.
A Ford já vinha testando a escala em alguns departamentos anteriormente. Em 1922, o filho de Henry, Edsel Bryant Ford, que presidia a empresa desde 1919, relatou ao New York Times que “toda pessoa precisa de mais de um dia por semana para descanso e recreação”.
No texto, argumentava que “a Ford sempre buscou promover uma vida doméstica ideal para seus empregados” e disse acreditar que “para viver de forma apropriada, todo ser humano deveria dispor de mais tempo para passar com sua família”.
O sistema se expandiu pelos Estados Unidos. Em 1938, a jornada foi reduzida por lei e limitada a 44 horas semanais. Dois anos depois, caiu para 40 horas, como já era usado na Ford. O sistema fordista se espalhou pelo mundo após a Segunda Guerra Mundial.
O advogado trabalhista Pedro Maciel entende a adesão ao sistema por causa do sucesso obtido.
— O modelo começou a demonstrar uma vantagem econômica para as empresas, o que acabou por disseminar essa forma de jornada — explicou ao g1. A concorrência acabou convencida de que menos horas trabalhadas “não significavam menos dinheiro”.
Henry Ford entendia que o progresso, ao mesmo tempo que poderia aumentar os ganhos do empresariado e a eficiência da produção, também deveria resultar em benefícios trabalhistas. Em 1914, causou certa polêmica entre os grandes industriais ao dobrar o piso salarial dos empregados, que também recebiam bônus por produtividade.
— Foi o crescimento das grandes corporações, com sua habilidade de usar o poder, o maquinário de ponta e, de forma geral, reduzir os desperdícios de tempo, material e energia humana que permitiu implementar a jornada de 8 horas diárias — reconheceu ele.
Conforme a versão final do texto apresentada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) e aprovada pela Câmara, a escala 6×1 seria substituída pela escala 5×2, com a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, em uma transição de 14 meses.
A PEC também prevê que não haja redução de salário e que um dos dois dias de descanso por semana ocorram preferencialmente aos domingos. Conforme o texto, a primeira redução de carga horária deve acontecer em 60 dias após a aprovação da proposta, com a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais. Um ano depois, deve acontecer a segunda diminuição, com jornada saindo de 42 para 40 horas semanais.
No entanto, os prazos começariam a correr apenas depois que o texto fosse aprovado no Senad





