• Quinta-feira, 21 de maio de 2026

Safra de café deve crescer 18% e produzir 66,7 milhões de sacas, projeta Conab

Alta é impulsionada pela bienalidade positiva do café arábica e clima favorável; Minas Gerais lidera expansão

A produção brasileira de café na safra 2026 deve registrar um crescimento expressivo de 18% em comparação ao ciclo anterior, atingindo a marca de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos. Caso as projeções se confirmem, o volume representará um recorde absoluto na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando o teto anterior de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas.

Os dados, que integram o 2º Levantamento da Safra de Café 2026 divulgado pela estatal nesta quinta-feira (21), apontam que o desempenho histórico é resultado de uma combinação de fatores: o ciclo de bienalidade positiva, a entrada de novas áreas em produção e condições climáticas consideravelmente mais favoráveis nas principais regiões cafeeiras do país. O 1° levantamento, publicado em fevereiro, apontava  66,2 milhões de sacas.

O otimismo se reflete também na produtividade média das lavouras, estimada em 34,4 sacas por hectare, uma recuperação de 13% em termos nacionais. No total, o país dedica 2,34 milhões de hectares à cafeicultura (alta de 3,9%), divididos entre 1,94 milhão de hectares em fase de produção e 401,7 mil hectares em formação.

O grande motor do recorde atual é o café arábica. Beneficiado pelo ano de bienalidade alta e chuvas regulares, o tipo arábica deve alcançar 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% sobre a temporada passada. O volume se consolida como o terceiro maior da história para a variedade, atrás apenas dos anos de 2018 e 2020.

Por outro lado, o café conilon (robusta) apresenta uma projeção de estabilidade, com viés de alta de 0,8%, estimada em 20,9 milhões de sacas. O avanço da área em produção para essa variedade (388,22 mil hectares) foi crucial para neutralizar uma queda de 3,5% na sua produtividade média, calculada em 53,9 sacas por hectare.

Minas Gerais: O estado, maior produtor nacional e principal polo de arábica, lidera a arrancada com uma previsão de 33,4 milhões de sacas (somadas as duas espécies). O volume representa uma expansão de 29,8% ante o ciclo anterior. O clima favorável até março garantiu uma excelente granação dos frutos após uma boa distribuição de chuvas antes da floração.

Espírito Santo: Segundo maior produtor do grão, deve colher 18 milhões de sacas (alta de 3%). Enquanto o arábica capixaba dispara 27,9% impulsionado pela bienalidade, a produção de conilon deve recuar 4,2% (para 13,6 milhões de sacas) devido a temperaturas abaixo da média e ao forte desgaste das plantas após a supercolheita de 2025. Ainda assim, é a segunda maior marca da história do estado.

No front comercial, os primeiros meses de 2026 foram marcados por um ritmo mais lento nos portos. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de janeiro a abril, recuo de 22,5% frente ao mesmo período do ano passado.

Essa retração é explicada pelo baixo patamar dos estoques internos no início do ano, reflexo de quebras parciais em safras anteriores somadas a uma forte demanda global recente. No entanto, a Conab projeta uma forte reação dos embarques a partir do segundo semestre, à medida que o volume da nova e histórica safra comece a abastecer o mercado.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a produção global de café suba 2% no ciclo 2025/26, alcançando 178,8 milhões de sacas. Apesar do aumento na oferta internacional, analistas não preveem quedas acentuadas nos preços internacionais negociados nas bolsas de Nova Iorque e Londres. Isso porque o consumo mundial continua aquecido (com alta prevista de 1,3%, para 173,9 milhões de sacas) e os estoques globais remanescentes seguem operando em níveis historicamente baixos.

Por: ITATIAIA

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