Com uma das maiores malhas rodoviárias do mundo, o Brasil possui cerca de 1,72 milhão de quilômetros de estradas e rodovias. No entanto, apenas entre 12% e 13% desse total é pavimentado, enquanto a maior parte das vias permanece sem asfalto ou em condições precárias. Para o agronegócio, a situação representa um dos principais entraves logísticos do país.
O secretário de Agricultura e Pecuária de Minas Gerais, Thales Fernandes, afirma que a deficiência da infraestrutura viária é um dos grandes gargalos do setor. “Hoje ainda conseguimos escoar esses produtos, principalmente das regiões Norte, Noroeste de Minas e Alto Paranaíba”, destaca.
Apesar de muitas rodovias serem concessionadas, produtores e transportadores relatam problemas constantes, como buracos, falta de manutenção e insegurança nas estradas. A precariedade das vias aumenta os custos logísticos e dificulta o transporte da produção agrícola.
Motorista e transportador de alimentos, Carlos Alexandre de Lima afirma que a falta de estrutura coloca em risco tanto a carga quanto os profissionais que trabalham nas rodovias.
“No caminho de ida a estrada está de um jeito, na volta já está totalmente diferente. O agro representa uma grande parte do nosso Brasil. Transportamos açúcar, farinha de trigo e soja. Hoje, o maior risco é a falta de estrutura e de manutenção nas estradas”, relata.
Há 18 anos no transporte de cargas, Luciano Godói também enfrenta diariamente os problemas nas rodovias. “Saímos da roça, onde a estrada já é ruim. Agora, o asfalto está igual à estrada de terra. E ainda temos que pagar pedágio”, afirma.
Embora a concessão de rodovias tenha como objetivo ampliar investimentos e melhorar a infraestrutura, a realidade observada em trechos da BR-262, importante rota de escoamento entre Araxá e Uberaba, demonstra que os desafios persistem.
O presidente do Sindicato Rural, Vinícius Rodrigues, lembra que a precariedade das estradas é um problema histórico em Minas Gerais e em outras regiões do país.
“É uma situação contraditória. Na propriedade rural, onde é produzido o combustível dessa locomotiva que move a economia, os acessos são ruins. Convivemos com isso há muito tempo, mas esse ponto deveria receber uma atenção especial”, ressalta.
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