• Quinta-feira, 5 de março de 2026

Relatório dos EUA cita duas bases espaciais chinesas no Brasil

Documento do Congresso afirma que rede na América Latina pode ter uso militar; projetos citados ficam na Bahia e na Paraíba.

Um relatório divulgado pela comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos dedicada à competição estratégica com a China afirma que Pequim construiu ou mantém acesso a uma rede de ao menos 11 instalações espaciais na América Latina com potencial de uso militar.

O documento, divulgado pela Fox News e chamado de “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a Órbita da China” (em tradução livre), menciona 2 projetos no Brasil: uma estação terrestre em Tucano (BA) e um laboratório de radioastronomia na Serra do Urubu (PB). Eis a íntegra do relatório (PDF  2 mB).

O texto analisa a presença chinesa em infraestrutura espacial na região e conclui que diversas instalações anunciadas como científicas ou comerciais têm capacidade de “duplo uso”. Segundo o documento, essas bases podem integrar uma rede global de monitoramento espacial ligada ao PLA (Exército de Libertação Popular da China).

De acordo com o documento, produzido pela “Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês” (em tradução livre), essas estruturas permitem rastrear satélites, coletar dados e apoiar operações militares baseadas em informação. A comissão afirma que essa arquitetura ampliaria a capacidade chinesa de vigilância espacial e de coleta de inteligência contra adversários.

O relatório faz parte de uma série de investigações do Congresso dos EUA sobre a atuação chinesa na América Latina. O documento argumenta que a expansão da infraestrutura espacial no continente está ligada à estratégia chinesa de desenvolver consciência situacional espacial (“Space Domain Awareness”), um sistema destinado a detectar, rastrear e analisar objetos e atividades em órbita.

Entre as instalações listadas está a estação terrestre de Tucano, na Bahia. Segundo o relatório, o projeto foi formalizado em 2020 em parceria entre a startup brasileira Alya Nanossatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology.

O documento afirma que a empresa chinesa fornecerá comunicações de longa duração entre satélites e a Terra, inclusive para missões tripuladas e satélites de reconhecimento. O relatório também registra que o local exato da estação não é público.

Segundo a comissão, o acordo inclui troca e armazenamento de dados operacionais entre as redes de antenas das duas empresas. A análise sustenta que essa integração pode ampliar a capacidade de rastreamento de satélites e objetos espaciais.

O documento também cita a participação da FAB (Força Aérea Brasileira) no projeto. A Alya firmou memorando com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da Força Aérea para treinamento de militares em simulação orbital e uso de antenas da FAB como apoio à estação de Tucano.

Para os autores do relatório, essa cooperação poderia permitir que a China acompanhe o desenvolvimento da doutrina espacial militar brasileira e estabeleça presença permanente na região.

O 2º projeto citado fica na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba. Trata-se do Laboratório Conjunto China-Brasil de Tecnologia em Radioastronomia, criado em 2025 por meio de parceria entre instituições chinesas e universidades federais brasileiras.

O laboratório está ligado ao projeto científico internacional Bingo, um radiotelescópio voltado à observação de sinais de hidrogênio no universo. O equipamento usa refletores parabólicos e sensores capazes de captar sinais de rádio extremamente fracos vindos do espaço.

Segundo a comissão do Congresso norte-americano, tecnologias desse tipo também poderiam detectar emissões de radar, telemetria de satélites ou outros sinais eletrônicos, o que levantaria preocupações sobre possíveis aplicações em inteligência ou guerra eletrônica.

O relatório afirma que instalações semelhantes estão espalhadas por Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile, formando uma rede capaz de apoiar monitoramento espacial global e coleta de dados estratégicos.

Os congressistas norte-americanos recomendam que o governo dos EUA trabalhe com países da região para ampliar mecanismos de transparência, inspeção e supervisão das instalações espaciais estrangeiras instaladas em seus territórios.

Por: Poder360

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