• Quinta-feira, 5 de março de 2026

Irã diz que EUA “vão se arrepender” de ataque à fragata

Ministro chama ação de “atrocidade no mar” e afirma que navio com 130 marinheiros foi atingido em águas internacionais.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou nesta 5ª feira (5.mar.2026) que os Estados Unidos cometeram uma “atrocidade no mar” ao atacar a fragata iraniana Dena em águas internacionais próximas ao Sri Lanka.

Segundo Araghchi, o navio participava de atividades navais com a Marinha da Índia e transportava cerca de 130 marinheiros quando foi atingido. A declaração foi feita em uma publicação na rede social X.

O chanceler iraniano também ameaçou uma resposta política e militar. “Marquem minhas palavras: os EUA vão se arrepender amargamente do precedente que estabeleceram”, disse.

Publicação de Seyed Abbas, ministro das Relações Exteriores do Irã, sobre o ataque dos EUA a fragata Dena

O comentário foi feito depois de forças norte-americanas afundarem a fragata iraniana nas proximidades do Sri Lanka. O ataque foi realizado em contexto de escalada militar iniciada no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra alvos no Irã.

De acordo com autoridades médicas da região ouvidas pela Reuters, 87 pessoas morreram na ofensiva. Outras 32 pessoas foram resgatadas e estavam sendo tratadas em hospitais. O Sri Lanka lançou uma operação de busca e resgate para localizar sobreviventes.

O almirante Brad Cooper, do Comando Central dos EUA, disse que a campanha militar já destruiu 17 embarcações e atingiu cerca de 2.000 alvos ligados ao país persa. As ações incluem ataques contra instalações militares, estruturas de comando e equipamentos utilizados pelas forças iranianas.

Araghchi tem feito críticas frequentes à ofensiva liderada por Washington. Em declaração anterior, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sabotou negociações com Teerã por “rancor”.

O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.

Por: Poder360

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