Rastreabilidade pode influenciar o acesso da carne brasileira ao mercado chinês
Análise recente mostra que frigoríficos da Amazônia Legal não apresentam evidências suficientes de atendimento aos critérios do próprio setor chinês, o que pode influenciar decisões de compra.
Análise recente mostra que frigoríficos da Amazônia Legal não apresentam evidências suficientes de atendimento aos critérios do próprio setor chinês, o que pode influenciar decisões de compra. Em um contexto de maior competição por acesso às cotas de exportação, frigoríficos da Amazônia Legal habilitados a exportar carne bovina para a China e Hong Kong não apresentam evidências suficientes de atendimento pleno às exigências de rastreabilidade e controle da cadeia previstas por normas do setor chinês. Segundo análise do indicador Radar Verde, a ausência de evidências sobre o controle das fazendas fornecedoras indiretas pode se tornar um fator de risco comercial em um momento de mudanças nas regras de importação e maior seletividade nas compras. O levantamento considerou o desempenho dessas unidades com base na Specification for Meat Industry Green Trade, norma da associação chinesa que define critérios de rastreabilidade, transparência e compromisso com desmatamento zero nas cadeias de suprimento. O estudo identificou 151 empresas na Amazônia Legal detentoras de 194 plantas frigoríficas, responsáveis por cerca de 96% dos abates em 2024. Dessas, 31 são habilitadas a exportar para a China e 71 para Hong Kong (ver tabela anexa). Segundo dados do Departamento de Indústria e Comércio de Hong Kong (TID), grande parte das exportações destinadas ao território é posteriormente reexportada para a China continental. Juntas, essas unidades têm capacidade para abater 48.540 cabeças de gado por dia, o equivalente a 57% de toda a capacidade de abate da Amazônia Legal. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Brasil na Lua: Embrapa estuda o desenvolvimento de alimentos lunares Entre as 31 plantas frigoríficas habilitadas a exportar diretamente para a China, 21 apresentam baixo nível de controle socioambiental e 10 têm nível muito baixo. Apenas 20 delas demonstram algum nível de monitoramento das fazendas fornecedoras diretas, enquanto nenhuma apresentou evidências públicas de mecanismos efetivos para controlar as fazendas fornecedoras indiretas, etapa associada aos critérios de rastreabilidade até a origem previstos na especificação da CMA. Já no caso das plantas habilitadas a exportar para Hong Kong, 61% apresentam políticas com baixo nível de controle socioambiental, e 55% monitoram apenas fazendas fornecedoras diretas. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Regiões de compra apresentam alta exposição ao desmatamento O levantamento também mapeou as zonas potenciais de compra de gado dessas plantas frigoríficas na Amazônia Legal. De acordo com a análise, essas regiões apresentam exposição ao desmatamento que varia de cerca de 31 mil a quase 3,8 milhões de hectares, dependendo da área de abastecimento de cada unidade frigorífica. Mapas do estudo mostram que essas plantas operam em regiões com diferentes níveis de risco de desmatamento. Apesar de nenhuma companhia demonstrar controle completo da cadeia de fornecimento, apenas uma empresa, a Plena Alimentos, respondeu ao questionário da pesquisa Radar Verde 2025, que permite às empresas apresentar evidências e informações adicionais sobre suas políticas e práticas socioambientais. A especificação da Associação Chinesa de Carnes para o Comércio Verde (T/CMA 014-2021) estabelece, entre outros pontos, que as empresas evitem comprar produtos provenientes de áreas com alto risco de desmatamento, como a Amazônia e o Cerrado. A norma também prevê requisitos de rastreabilidade da cadeia produtiva até a origem dos materiais e incentiva a transparência pública sobre o cumprimento dos compromissos socioambientais. Mudanças no comércio entre Brasil e China O estudo também chama atenção para um contexto recente de mudanças no comércio entre Brasil e China. Em dezembro de 2025, o governo chinês anunciou a criação de cotas tarifárias por país fornecedor, com tarifas adicionais de 55% sobre importações acima dos limites estabelecidos, regime que passou a valer em janeiro de 2026 por três anos. Para o Brasil, a cota fixada para 2026 foi de 1,106 milhão de toneladas. Esse novo cenário aumenta o valor estratégico das compras realizadas dentro das cotas e pode incentivar importadores a selecionar fornecedores com melhor desempenho socioambiental e maior transparência nas cadeias de fornecimento. O relatório destaca ainda que, em outubro de 2025, uma associação chinesa de importadores anunciou a intenção de comprar carne bovina brasileira livre de desmatamento, sinalizando uma transição de compromissos gerais de sustentabilidade para iniciativas com implementação mensurável no comércio de carne.
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Por: Redação





