Produtor brasileiro aposta em café ancestral e pode receber até US$ 20 mil por saca do grão raro
Cultivo de espécie de café ancestral, de baixa produtividade e alto valor agregado, coloca o Brasil no radar do mercado global de cafés de luxo e produtor pode receber até US$ 20 mil por saca do grão raro
Cultivo de espécie de café ancestral, de baixa produtividade e alto valor agregado, coloca o Brasil no radar do mercado global de cafés de luxo e produtor pode receber até US$ 20 mil por saca do grão raro O agronegócio brasileiro, já consolidado como potência global na produção de café, começa a avançar também em um nicho altamente valorizado: o dos cafés raros e de altíssimo valor agregado. Um exemplo dessa nova fronteira é o cultivo do café eugenioides, uma variedade de café ancestral praticamente desconhecida do grande público, mas que pode render cifras impressionantes ao produtor. De acordo com reportagem publicada pela Reuters, um produtor de Minas Gerais projeta comercializar sua produção por valores que podem chegar a US$ 20 mil por saca, o e quivalente a cerca de R$ 100 mil, colocando esse tipo de café entre os mais caros do mundo. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Um café raro que pode valer até 50 vezes mais O responsável por essa aposta é o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, representante da quarta geração de uma família ligada à cafeicultura. Ele tem investido no cultivo do eugenioides, uma espécie considerada ancestral do café arábica, predominante no mercado mundial. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});A expectativa é ambiciosa: vender cerca de 10 sacas por até R$ 1 milhão, o que representa um salto expressivo frente ao café tradicional. Para efeito de comparação, o arábica — mesmo nas versões gourmet — chegou a ser negociado recentemente por cerca de US$ 400 por saca. Ou seja, o café raro pode atingir um valor até 50 vezes superior, dependendo da qualidade e da demanda internacional. Café ancestral tem sabor diferenciado e quase sem cafeína O diferencial do eugenioides não está apenas no preço. Trata-se de um café com características sensoriais únicas, que o colocam em um patamar premium no mercado global. Segundo o produtor, o grão apresenta um perfil incomum: Extremamente doce Praticamente sem amargor Baixíssimo teor de cafeína, sendo considerado quase descafeinado Essas características ampliam o interesse de mercados sofisticados, especialmente consumidores que buscam experiências sensoriais diferenciadas.
Mercado internacional já mostra apetite Apesar da produção ainda limitada, o café brasileiro já encontrou compradores no exterior. O produtor relata vendas para países como: Taiwan Arábia Saudita Outros mercados especializados em cafés premium Em 2025, por exemplo, algumas sacas chegaram a ser vendidas por cerca de R$ 90 mil cada, reforçando a valorização do produto. Esse movimento evidencia uma tendência clara: mesmo em cenários de queda no mercado tradicional de café, nichos de alta qualidade continuam em expansão. Produção limitada do café ancestral é o maior desafio Se por um lado o preço impressiona, por outro a produção é extremamente restrita — e isso explica, em parte, o valor elevado. O eugenioides apresenta características agronômicas desafiadoras:
Baixa produtividade Alta sensibilidade ao clima Necessidade de manejo intensivo Pouco histórico de melhoramento genético A estimativa é que cada hectare produza cerca de duas sacas do café ancestral, um volume que representa menos de 10% da produtividade média do arábica. Além disso, existem poucas iniciativas no mundo com cultivo comercial dessa espécie, o que reforça sua exclusividade. Tendência semelhante ao fenômeno do café geisha Especialistas do setor comparam o atual interesse pelo eugenioides ao que ocorreu com o café geisha no início dos anos 2000 — uma variedade que se consolidou como símbolo de cafés de luxo e passou a alcançar preços recordes em leilões internacionais. A lógica por trás desse movimento é bastante semelhante. Trata-se de um produto raro, com qualidade sensorial diferenciada, produção limitada e forte apelo no mercado premium. Essa combinação cria um ambiente altamente favorável à valorização, especialmente entre consumidores exigentes e torrefadores de alto padrão, que buscam exclusividade e experiências únicas. Brasil amplia protagonismo também no segmento premium Tradicionalmente conhecido pela produção em larga escala, o Brasil começa a consolidar também sua presença no topo da cadeia de valor do café. A aposta em variedades raras e especiais como o café ancestral demonstra que o país não apenas produz volume, mas também tecnologia, diversidade genética e inovação no campo.
Para o produtor rural, isso abre uma nova janela de oportunidades: sair da lógica de commodity e entrar no mercado de nicho, com margens significativamente maiores. Ao mesmo tempo, exige investimento, conhecimento técnico e disposição para assumir riscos — características que tendem a definir os protagonistas dessa nova fase da cafeicultura brasileira.
Por: Redação





