• Sábado, 30 de maio de 2026

PSOL e Rede acionam PGR para investigar atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA

Parlamentares acusam senador de buscar interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil após articulação junto ao governo dos Estados Unidos

Deputados federais do PSOL e da Rede Sustentabilidade protocolaram na Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação pedindo a apuração da atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. Os parlamentares alegam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria atentado contra a soberania nacional ao solicitar ao governo norte-americano que classificasse o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O documento foi apresentado na sexta-feira (29) e é assinado por parlamentares das duas siglas, entre eles Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG), Luiza Erundina (PSOL-SP), Heloísa Helena (Rede-RJ), Luizianne Lins (Rede-CE) e Chico Alencar (PSOL-RJ).

Na representação, os deputados afirmam que Flávio Bolsonaro esteve em Washington entre os dias 26 e 29 de maio, período em que teria se reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo os autores, o senador solicitou que as facções criminosas brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas pelo governo norte-americano.

Os parlamentares argumentam que a iniciativa configuraria interferência indevida na condução das relações internacionais do Brasil, competência atribuída constitucionalmente ao presidente da República. Eles também sustentam que a medida pode gerar impactos para o país, incluindo a possibilidade de sanções econômicas e outras consequências previstas na legislação antiterrorismo dos Estados Unidos.

Com base nesses argumentos, o grupo pede a abertura de um inquérito policial federal para apurar eventual prática do crime de atentado à soberania nacional. Os deputados também solicitaram que o caso seja comunicado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para avaliação de possíveis reflexos no processo eleitoral.

Em nota enviada à imprensa, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro classificou a representação como uma tentativa da esquerda de judicializar disputas políticas. O grupo afirmou que a busca por cooperação internacional contra organizações criminosas não configura irregularidade e defendeu a atuação do senador no combate às facções.

Também neste sábado (30), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição para que a recente decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas seja considerada um fato novo no processo que investiga o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Segundo o parlamentar, a medida pode reforçar as suspeitas sobre uma articulação internacional envolvendo Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e aliados para pressionar instituições brasileiras e interferir em investigações conduzidas no país.

Eduardo Bolsonaro é alvo de apuração no STF por suposta atuação junto a autoridades norte-americanas para influenciar decisões relacionadas ao Brasil. Na semana passada, Lindbergh já havia solicitado a ampliação das investigações para incluir Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido está sob análise da Procuradoria-Geral da República após encaminhamento do ministro Alexandre de Moraes.

* Com informações de CNN

Por: ITATIAIA

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