Presidente da Caixa: habitação é maior “alavanca” para emprego no país
Carlos Vieira classificou os números apresentados entre julho e setembro de 2025 como positivos, em um trimestre considerado "desafiador"
O presidente da , Carlos Vieira, celebrou nesta quinta-feira (27/11) .
Em um evento realizado no auditório do edifício-sede da instituição em , Vieira classificou os números apresentados no período entre julho e setembro de 2025 como positivos, em um trimestre considerado “desafiador” para o banco.
O vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa, Marcos Brasiliano Rosa, também participou do evento.
. O resultado representa uma alta de 15,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já na comparação com o segundo trimestre de 2025, a Caixa registrou um aumento de 2,2% em seu lucro líquido.
O banco também reportou um lucro líquido contábil de R$ 13,5 bilhões até setembro de 2025, com aumento de 50,3% em relação ao mesmo período de 2024. O lucro líquido recorrente alcançou R$ 12,7 bilhões, alta de 34,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.
“Foi um trimestre desafiador em alguns pontos, mas também de muitas conquistas. Com toda a entrega que a Caixa faz, ainda conseguimos entregar resultados dessa natureza. A gente vê o tamanho desse banco, com quase R$ 4 trilhões de ativos sob sua gestão. Dá muito orgulho”, afirmou Vieira ao comentar os resultados.
“Para um banco que faz o que a Caixa faz, com a entrega diferenciada no crédito, em um país que tem uma taxa de juro que tenderia a nos levar à tentação de usar a nossa tesouraria como grande fonte de recursos, ainda ter um ROE [Retorno sobre o Patrimônio Líquido] dessa natureza, é para se entender que os nossos colegas têm feito um grande trabalho neste país”, prosseguiu o presidente do banco estatal.
De acordo com as informações divulgadas pela Caixa, o ROE ficou em 11,93%, com uma alta de 2,6 pontos percentuais em um ano e de 0,07 ponto percentual em três meses.
O ROE é o indicador financeiro que mede a capacidade de uma empresa de gerar lucro a partir do capital próprio investido pelos acionistas. O indicador mostra o quanto de retorno o investidor recebe a cada real que aportou na empresa.
Ainda segundo Carlos Vieira, “não é trivial você ter um crescimento de quase 10% no nosso ativo no decorrer de um ano”.
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Habitação como “alavanca”
Em sua fala durante o evento promovido pela Caixa, o presidente do banco chamou atenção para a importância do setor de e do avanço do para a geração de emprego e o crescimento econômico do país.
A carteira de crédito da Caixa fechou o terceiro trimestre com um saldo de R$ 1,334 trilhão, o que correspondeu a uma alta de 10,3% em relação ao mesmo período de 2024 e de 3,1% na comparação com o trimestre anterior.
Na divisão por segmentos, o setor imobiliário registrou aumento anual de 11,4%, ante 10,9% do crédito comercial para pessoas físicas, 10,8% do crédito comercial para pessoas jurídicas, 4,1% de saneamento e infraestrutura e 3,7% de agronegócio.
Apenas no período entre julho e setembro de 2025, foram concedidos R$ 185,1 bilhões em crédito total, o que significou uma alta de 13,3% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e de 15,9% na comparação trimestral.
O saldo da carteira imobiliária, que representa 67,8% da carteira total da Caixa, foi de R$ 905 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 11,4% (anual) e de 3,4% (trimestral).
“Habitação continua sendo, e certamente vai ser por muito tempo, a nossa grande alavanca”, disse Vieira. “Temos um papel fundamental no crédito imobiliário e na geração de emprego. A habitação cria em torno da sua atuação uma estabilidade. Em torno de 20% do que se cria de emprego neste país vem da habitação. A Caixa tem essa primazia de ser o principal alavancador nesse contexto.”
O presidente do banco estatal destacou as medidas anunciadas no mês passado pelo e pelo , que aprovaram alterações no modelo de direcionamento obrigatório dos recursos dos depósitos de poupança. O objetivo é possibilitar uma utilização mais eficiente dos recursos captados por meio desses depósitos e de outros instrumentos de captação, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).
Além disso, o BC promoveu mudanças na regulamentação que disciplina o recolhimento compulsório sobre os depósitos de poupança, possibilitando que até 5% dos saldos de poupança, ao serem utilizados para operações de crédito imobiliário, possam ser deduzidos da exigibilidade de recolhimento.
Com essas medidas, a expectativa é a de que haja uma ampliação na concessão de financiamentos imobiliários e do acesso ao crédito para aquisição da casa própria, em especial para famílias de menor renda não contempladas por programas habitacionais.
O novo modelo de financiamento de crédito imobiliário viabiliza R$ 111 bilhões de recursos no primeiro ano, tornando disponíveis R$ 52,4 bilhões a mais – em relação ao modelo atual – para financiamento habitacional nesse período, dos quais R$ 36,9 bilhões de forma imediata.
“Toda medida que tem um componente macroeconômico estruturante é permanente. Isso vai ter um papel muito forte”, elogiou Carlos Vieira. “Nós vislumbramos algo em torno de R$ 1 trilhão nos próximos dez anos, permitindo com que a gente tenha um mercado maduro, como acontece nos grandes mercados de créditos imobiliários no mundo inteiro. É a sustentação do crédito habitacional vindo do mercado secundário”, completou.
Sustentabilidade
Durante sua participação no evento da Caixa, Carlos Vieira também reforçou o compromisso de desenvolver práticas sustentáveis. Ele destacou a participação da Caixa na agenda da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (), em Belém (PA), que terminou na semana passada.
“As questões de governança, sociais e ambientais são realidades na Caixa. Estamos engajados nesse compromisso com a sustentabilidade”, afirmou Vieira.
“Na COP 30, a Caixa teve uma atuação muito forte. Pudemos tangibilizar o que é uma participação efetiva de uma instituição. Fomos o banco escolhido para fazer a compensação de 170 mil toneladas de carbono que foram usadas na COP 30. Nós escolhemos um aterro sanitário para fazer essa compensação”, disse o presidente do banco estatal. “Tivemos muitas agendas bilaterais e ficamos empolgados com tudo o que a gente discutiu.”
Rio Grande do Sul
Ainda em relação às preocupações com as mudanças climáticas, o presidente da Caixa Econômica Federal destacou a participação do banco na cerimônia de anúncio de novos investimentos do governo federal para municípios atingidos pelas inundações no , em 2024. O evento ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, na quarta-feira (26/11).
A Caixa atua na execução de ações emergenciais e estruturantes nas áreas de habitação e infraestrutura para famílias atingidas pelas enchentes de abril do ano passado.
Pela modalidade Compra Assistida do Minha Casa, Minha Vida – Reconstrução, foram entregues 8 mil moradias, o que representa R$ 1,6 bilhão em investimentos. A Caixa é responsável pela gestão técnica e financeira do programa.
Durante a cerimônia, foram assinados dois contratos para a destinação de R$ 571,3 milhões do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE) a municípios gaúchos. O fundo, gerido pela Caixa, foi criado em dezembro de 2024 com a finalidade de financiar a reconstrução e a adaptação de infraestruturas em áreas afetadas por desastres climáticos, além de elaborar projetos que ajudem na mitigação e adaptação às mudanças do clima.
“No Rio Grande do Sul, usamos pela primeira vez de forma efetiva a biometria e o reconhecimento facial da Caixa. Tivemos milhares e milhões de pagamentos de forma digital, sem fila, sem atropelamento, para uma parte da população que tinha perdido seus documentos”, concluiu Carlos Vieira.
Outros dados
No terceiro trimestre, a margem financeira da Caixa foi de R$ 16,5 bilhões, com um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado e de 1% na base de comparação trimestral.
Ainda segundo os dados financeiros divulgados pela Caixa, o índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira de crédito total ficou em 3,01%, com alta de 0,74 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
Na comparação trimestral, o aumento da inadimplência foi de 0,35 ponto percentual. Os maiores atrasos no pagamento são de clientes pessoas jurídicas (12,5%), seguido pelo agronegócio (11,2%).
O balanço financeiro da Caixa também informa que o saldo de captações do banco foi de R$ 1,907 trilhão no terceiro trimestre, com alta anual de 13% e crescimento trimestral de 5%.
Os depósitos em poupança registraram uma alta de 2,9% em 12 meses, somando R$ 391,9 bilhões, o que representou 38,8% de participação no mercado. As letras de crédito, por sua vez, totalizaram R$ 272,7 bilhões, com alta anual de 40,7%.
Por: Metrópoles





