• Sábado, 9 de maio de 2026

Nova técnica torna análise de solos coesos mais rápida e barata

Tecnologia da UFC e Embrapa reduz custos, tempo de análise e impacto ambiental em estudos de solos coesos

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, desenvolveram uma nova forma de analisar solos coesos que promete tornar o processo mais rápido, barato e menos poluente. A tecnologia, já patenteada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, utiliza espectroscopia de reflectância, ou seja, utiliza a luz para avaliar as características do solo, combinando etapas de umedecimento e secagem para entender melhor seu comportamento.

Análises espectrais de solos são realizadas com a aplicação de radiação eletromagnética (luz), que permite a identificação e quantificação físico-química de diferentes materiais, como, por exemplo, minerais no solo. Tradicionalmente, a técnica é feita com amostras peneiradas e secas em estufa, o que oferece uma visão simplificada da composição do recurso natural.

A proposta do estudo foi incluir ciclos de umedecimento e secagem antes da análise, simulando o comportamento natural de agregação das partículas do solo com caráter coeso. Com isso, os pesquisadores conseguiram gerar dados espectrais mais representativos, capazes de evidenciar faixas específicas da radiação eletromagnética associadas a componentes do solo com caráter coeso, como argilas e substâncias amorfas, que podem atuar na sua gênese.

“A espectroscopia de reflectância é uma técnica consagrada e eficiente, mas seu uso para o estudo do caráter coeso do solo ainda é incipiente. Nosso trabalho envolve um método de preparação que abre espaço para novas aplicações e modelos de previsão, com mais rapidez e menor custo”, destacou a doutoranda e líder do projeto, Ana Maria Vieira da Silva.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Luiz Eduardo Vicente, a espectroscopia de reflectância oferece uma vantagem decisiva: dispensa análises químicas tradicionais, que são lentas e caras e geram resíduos laboratoriais. Ao utilizar a luz como insumo principal, o método reduz despesas, aumenta a agilidade e diminui impactos ambientais.

O potencial de aplicação da pesquisa vai além do laboratório. O uso em condições de estufa e campo pode viabilizar análises rápidas e baratas, diretamente aplicáveis a experimentos de manejo.

Ele abre também espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas, incluindo insumos comerciais destinados a amenizar a resistência mecânica dos solos. Produtos como condicionadores de solo, biochars e hidrogéis poderão ser testados com mais eficiência, reduzindo o tempo de desenvolvimento e aumentando as chances de sucesso.

O trabalho, assinado pela doutoranda Ana Maria Vieira da Silva, intitulado “Método para caracterização espectral de solo de horizonte com caráter coeso submetido a ciclos de umedecimento e secagem e extração de amorfos", teve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Por: ITATIAIA

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