• Terça-feira, 24 de março de 2026

Moro se filia ao PL após idas e vindas com o bolsonarismo

De “superministro” a “traidor”, o senador deixa o União Brasil para se candidatar ao governo do Paraná com apoio de Flávio.

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) se filia nesta 3ª feira (24.mar.2026) ao Partido Liberal para concorrer ao governo do Paraná nas eleições de outubro. A troca de partido se dá depois de entraves com o PP no Estado em relação ao apoio à sua candidatura.

Mas a filiação ao PL também representa o retorno do ex-juiz ao entorno da família Bolsonaro.

Moro foi escolhido em 2018 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser ministro da Justiça do novo governo. O então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba vivia o auge da sua popularidade com a operação Lava Jato, que prendeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros nomes envolvidos em casos de corrupção.

O plano de Bolsonaro era transformar Moro em um “superministro” com “carta branca” para combater o crime organizado e a corrupção, uma das bandeiras da campanha eleitoral de 2018. Porém, os problemas com o Palácio do Planalto começaram logo no 1º ano do mandato.

Um dos motivos era o chamado “pacote anticrime” que endureceu a legislação penal. O projeto foi aprovado no Congresso, mas sem diversos pontos defendidos pelo então ministro da Justiça. Moro dizia que havia faltado empenho do governo para aprovar o texto da forma como tinha sido concebido pela sua gestão.

Outro ponto de embate foi a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. Moro reclamava da falta de apoio político da base do governo Bolsonaro e, do outro lado, bolsonaristas questionavam o protagonismo do “superministro”.

Mas o ápice do atrito entre Moro e Bolsonaro foi a troca do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, homem de confiança do ex-juiz. 

Moro afirmava que Bolsonaro queria com a troca maior acesso às investigações que recaíam sobre integrantes da sua família. Segundo ele, o chefe do Executivo também queria indicar um novo superintendente para a PF do Rio de Janeiro, Estado onde começou sua carreira política e reduto eleitoral de seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em depoimento à PF, Moro declarou que Bolsonaro havia dito a ele: “Você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

O vídeo de uma reunião ministerial em que Bolsonaro afirmava que não esperaria prejudicarem sua família e amigos só porque não podia trocar alguém da segurança na ponta da linha” passou a ser usado por Moro como prova de que o então presidente tentou interferir na Polícia Federal do RJ.

O Supremo Tribunal Federal abriu um inquérito para investigar se houve de fato interferência. Em depoimento à PF, o então presidente chamou o ministro de “Judas” e afirmou que ele tinha “compromisso com o próprio ego e não com o Brasil”. Bolsonaro negou interferência e falou em “denunciação caluniosa”.

Moro pediu demissão do cargo em 24 de abril de 2020. Alegou pressão de Bolsonaro por mudanças da PF e acesso às informações de investigações. Essa agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente da República para que nós implementássemos, disse o então ministro na época.

“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, declarou ao sair.

Com sua saída do Ministério da Justiça, Moro passou a ser alvo de aliados de Bolsonaro, que o acusavam de traição. Quando tentou emplacar uma candidatura à Presidência em 2022 –o que não se concretizou–, foi chamado de “idiota” por Bolsonaro, em conversa do ex-presidente com apoiadores, no Palácio do Alvorada.

Além do pai, os filhos também passaram a acusar Moro de traição. Sem citá-lo nominalmente, Flávio chegou a dizer que “a política pode até perdoar traição, mas não perdoa o traidor”. E o ex-juiz respondeu: Não serão ofensas ou ataques mentirosos que irão me assustar”. 

A declaração foi feita no evento de filiação de Jair Bolsonaro ao PL, o mesmo partido que filia Sergio Moro nesta 3ª feira. 

Moro apoiou a reeleição de Bolsonaro em 2022, o que apaziguou sua relação com a família e os apoiadores. “Coloquei de lado minhas divergências com Bolsonaro”, disse.

Em outubro daquele ano, Bolsonaro afirmou: Apaga-se o passado, qualquer divergência que porventura tenha ocorrido. O Sergio Moro foi uma pessoa que realmente mostrou o que era corrupção no Brasil”.

Com a derrota de Bolsonaro nas urnas, a relação seguiu amistosa. Eleito senador pelo Paraná, Moro passou a ser uma das principais vozes contra Lula. Quando Bolsonaro foi condenado pela tentativa de golpe de Estado, o congressista disse que as penas eram “excessivas”.

Em outubro, Moro e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro devem dividir o mesmo palanque no Paraná. O filho mais velho de Jair já anunciou publicamente apoio à candidatura do senador ao governo estadual. Afirmou ser uma “grande alegria” que ambos compartilhem “das mesmas pautas”.

Assista (37s):

Moro deve entrar na disputa eleitoral com favoritismo. O último levantamento da Paraná Pesquisas, de 12 de março, mostra o pré-candidato na liderança dos 3 cenários testados. O senador varia de 40,1% a 47%. Os 2 adversários mais competitivos do congressista são Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB). Leia a íntegra (PDF – 675 kB).

Após idas e vindas, Moro volta a se aproximar da família Bolsonaro em uma aliança que pode dar frutos para ambos os lados.

Por: Poder360

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