• Terça-feira, 28 de abril de 2026

Ministério Público Eleitoral denuncia Lucas Ganem por fraude e pede perda do cargo

Vereador de BH, natural de São Paulo, é suspeito de ter mentido sobre seu domicílio eleitoral para concorrer nas eleições de 2024

O Ministério Público Eleitoral denunciou, nesta terça-feira (28), o vereador de Belo Horizonte Lucas Ganem (MDB) por suspeita de fraude eleitoral. A denúncia narra que o parlamentar, que é natural de São Paulo, teria declarado um endereço falso em documentos encaminhados à Justiça Eleitoral para conseguir concorrer ao cargo na Câmara Municipal nas eleições de 2024. No início do mês, a Polícia Federal havia concluído o inquérito que investigava o parlamentar e o indiciou.

O órgão argumenta que as investigações, conduzidas pela PF, comprovaram “de forma irrefutável” que Ganem nunca residiu no endereço informado. “O verdadeiro proprietário e morador do imóvel, Sr. Grijalva de Carvalho Lage Duarte Júnior, declarou em sede policial que apenas cedeu o endereço como ‘ponto de apoio’ para o recebimento de correspondências relacionadas a um projeto social de defesa animal, e que Lucas jamais o informou de que utilizaria o local como domicílio eleitoral”, diz trecho da denúncia.

O MPE ainda pontua que a fraude foi corroborada por diligências realizadas por agentes da Polícia Federal, disfarçados, que entrevistaram moradores da casa e vizinhos, que teria afirmado em “uníssono” que o vereador nunca morou ou sequer chegou a ser visto no local.

“O próprio denunciado, em seu interrogatório policial, confessou a falsidade ideológica ao admitir que só se mudou efetivamente para Belo Horizonte em novembro ou dezembro de 2024, após ter sido eleito, e que, nas vezes em que vinha à capital mineira antes do pleito, hospedava-se em hotéis ou em imóveis locados via Airbnb, não possuindo parentes nativos ou residência fixa na cidade”, explica a denúncia.

O documento ainda reforça que houve dolo nas ações de Ganem, que estaria “robustamente evidenciado” pelas investigações. “O denunciado, de forma livre, consciente e deliberada, forjou vínculo residencial com a cidade de Belo Horizonte/MG no Requerimento da Justiça Eleitoral, fraudando a fé pública e o cadastro eleitoral, com o fim exclusivo de burlar a exigência legal de domicílio na circunscrição (art. 9º da Lei nº 9.504/97) e habilitar ilegalmente a sua candidatura ao cargo de vereador”, completa.

O Ministério Público Eleitoral pede na denúncia que Ganem seja condenado pelo crime, perca o cargo e ainda pague multa por danos morais coletivos de R$ 1,5 milhão aos cofres da Câmara Municipal de Belo Horizonte, órgão que teria sido lesado pelas ações do parlamentar. Ainda, o MPE requer a perda dos direitos políticos por dez anos – Ganem é pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano, visando uma cadeira na Assembleia Legislativa.

As primeiras suspeitas sobre a possível fraude eleitoral cometida por Ganem foram publicadas originalmente pelo portal O Fator já em outubro de 2024, semanas após a eleição. A reportagem mostrou também que o então vereador eleito integra uma família de candidatos que se baseia na defesa dos direitos dos animais para montar campanhas supraterritoriais em diferentes cidades e estados do país.

O caso então passou a ser formalmente investigado. Rubão, primeiro suplente do Podemos, acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em dezembro de 2025, a corte determinou a cassação do parlamentar. Ganem recorreu da decisão e o caso ainda não foi avaliado por instâncias superiores.

Um mês antes, em novembro de 2025, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) já havia emitido um parecer pela cassação do vereador. O documento apontava que a própria Justiça Eleitoral teve dificuldades de encontrar o então candidato no endereço informado como seu domicílio na capital mineira.

Em paralelo aos andamentos do caso na Justiça, a Câmara Municipal de BH aprovou a abertura de um processo de cassação de Ganem. Uma comissão processante chegou a ser formada e a listar as testemunhas a serem ouvidas pelos parlamentares em janeiro deste ano.

No entanto, Ganem conseguiu suspender o processo judicialmente. A Câmara de BH recorreu da decisão e, em 21 de março, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a suspensão do rito de cassação do vereador.

Em dezembro de 2025, Ganem pediu uma licença de quatro meses na Câmara de BH e está afastado do cargo desde então. Neste ínterim, o parlamentar chegou a declarar que pretende concorrer a deputado estadual no pleito de outubro.

À reportagem, Ganem afirmou "confiar nas instituições". "Qualquer manifestação sobre o caso será prestada oportunamente perante a Justiça", declarou.

Por: ITATIAIA

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