A no Brasil segue caminhando em direção à meta definida para este ano, o que indica uma grande possibilidade de corte da taxa básica de juros no início de 2026. A avaliação é de economistas e analistas do mercado consultados, nesta quarta-feira (10/12), pela reportagem do Metrópoles, pouco depois da divulgação dos dados oficiais de novembro.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (), , acima da taxa de 0,09% de outubro. No ano, o IPCA acumula alta de 3,92% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,46%, abaixo dos 4,68% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2024, a variação havia sido de 0,39%.
A meta de inflação para 2025 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual, com piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ela será considerada cumprida se oscilar dentro desse intervalo de tolerância.
O que diz o mercado
Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o IPCA de novembro “veio abaixo do que esperávamos”.
“Os preços de alimentos e bens industriais vêm contribuindo para um alívio na inflação nos últimos meses, favorecidos pela queda das commodities e a desvalorização do dólar frente ao real. Com isso, esperamos que a inflação termine o ano abaixo do limite superior da meta, que é de 4,5%. Para 2026, porém, o quadro tende a ser mais desafiador: nossa projeção é de um IPCA mais pressionado, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e por um dólar potencialmente mais forte”, projeta.
Para Moreno, “os dados do IPCA não mudam nossa expectativa de que a taxa Selic seja mantida em 15% na reunião de hoje”. “Acreditamos que o Copom [Comitê de Política Monetária do Banco Central] deve dar início ao ciclo de cortes apenas em março, com a Selic chegando a 13% no fim de 2026″, afirma.
André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que “a média dos núcleos desacelerou de 0,26% em outubro para 0,23% em novembro, fazendo a média móvel de três meses cair para 0,22%, a menor desde novembro de 2023 e próxima dos níveis mais baixos desde o início da pandemia”.
“Por outro lado, a inflação de serviços acelerou pelo segundo mês consecutivo, avançando 0,6%, influenciada pela forte alta de 11,9% das passagens aéreas, que sozinhas adicionaram 0,07 ponto percentual ao índice. Já os serviços subjacentes mostraram leve desaceleração, passando de 0,33% para 0,30%, mas o segmento segue desafiador, com variação em 12 meses próxima de 6% e sem sinais consistentes de convergência para a meta”, afirma Valério.
Segundo o economista, “o resultado de novembro confirma um quadro benigno para a inflação, com núcleos cedendo e mostrando maior acomodação”. “Nesse contexto, aumentam as chances de o IPCA encerrar 2025 dentro da meta, e vemos condições favoráveis para que o Copom inicie o ciclo de cortes já na reunião de janeiro. Esperamos que a comunicação da decisão de hoje traga sinais nessa direção.”
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, diz que “a composição do índice reforçou uma leitura qualitativa favorável” em novembro. “A inflação de serviços permaneceu controlada, com exceção do item hospedagem, que subiu de forma atípica por conta da realização da COP 30 em Belém, um choque temporário, sem implicações estruturais para a trajetória prospectiva”, afirma.
“Setorialmente, o comportamento dos bens industriais seguiu favorável, com deflação em eletrodomésticos e estabilidade em itens de maior sensibilidade ao câmbio”, observou Ariane.
Para a economista, a projeção é uma alta de 0,46% para o IPCA de dezembro e de 4,4% no ano, “refletindo a surpresa baixista nos núcleos, a continuidade da deflação de alimentos no domicílio, o comportamento benigno dos bens industriais e a perda de força dos serviços subjacentes, fatores que sustentam a convergência gradual e consistente da inflação ao longo do ano”.
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Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, por sua vez, afirma que o IPCA de novembro “confirmou a retomada da pressão inflacionária após a forte desaceleração de outubro”. “A alta veio mais uma vez puxada pelos serviços, especialmente passagens aéreas e turismo, enquanto alimentos e bens industriais, influenciados pela Black Friday, ajudaram a segurar o índice”, explica.
“Com esse resultado, a inflação veio abaixo do teto da meta, mas ainda mostra resistência nos núcleos, o que mantém o Banco Central cauteloso”, prossegue Spyer. “Acreditamos que o início do ciclo de cortes de juros dependerá de sinais mais claros de desaceleração dos serviços e dos administrados. Caso essa tendência se consolide, o processo pode começar de forma gradual ao longo do primeiro trimestre de 2026”, diz.
Segundo Spyer, “o início dos cortes, seja em janeiro ou março, vai depender do tom do comunicado do Copom desta quarta”. “É ele que deve balizar as apostas do mercado para a decisão de janeiro, já que o BC deixou claro que a sinalização futura será o principal fator na construção das expectativas.”
Para o economista Maykon Douglas, “com mais este resultado positivo em novembro, o IPCA voltou ao intervalo da meta no acumulado em 12 meses, algo que o consenso julgava impensável nos últimos meses”.
“Os núcleos continuam com composição mais favorável. Serviços subjacentes voltaram a ficar abaixo de 6% na comparação anual, algo que não ocorria desde janeiro deste ano. Os serviços intensivos em trabalho, que tenho destacado nos últimos meses devido à sua recente piora, desaceleraram ligeiramente. É um número bem alto, mas podemos ver uma melhora nos próximos meses à medida que o mercado de trabalho desaquece”, afirma.
“Sigo achando mais provável que o Copom comece a reduzir a taxa Selic em março de 2026, e não em janeiro. No entanto, o resultado de hoje eleva a confiança da autoridade monetária no processo de desinflação corrente. Minha previsão para o IPCA deste ano é de 4,3%”, conclui o economista.

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9 de 9 Ao contrário do que parece, a inflação não é de todo mal. Quando controlada, é sinal de que a economia está bem e crescendo da forma esperada. No Brasil, por exemplo, temos uma meta anual de inflação para garantir que os preços fiquem controlados. O que não pode deixar, na verdade, é chegar na hiperinflação - quando o controle de todos os preços é perdido coldsnowstormv/ Getty Images
Inflação e juros
Em novembro, cinco dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram variação positiva. Despesas pessoais (0,77%) e habitação (0,52%) apresentaram as maiores variações e o maior impacto (0,08 ponto percentual cada), seguidos por vestuário (0,49%), transportes (0,22%) e educação (0,01%).
De acordo com o IBGE, os demais grupos ficaram no campo negativo: artigos de residência (-1%), comunicação (-0,2%), saúde e cuidados pessoais (-0,04%) e alimentação e bebidas (-0,01%).
O resultado do IPCA veio ligeiramente abaixo da média das estimativas do mercado, que giravam em torno de 0,2% (na base mensal) e 4,49% (anual).
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.