• Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

BC de Campos Neto atuou para desancorar expectativas, diz Haddad

Ministro afirmou que problemas do Banco Master foi constituído na gestão anterior da autoridade monetária.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta 2ª feira (19.jan.2026) que não se arrepende de ter indicado o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, para o cargo mesmo com a taxa básica, a Selic, em 15% ao ano. Declarou ainda que a autoridade monetária comandada por Roberto Campos Neto atuou para desancorar as expectativas de inflação, o que atrapalhou o seu sucessor indicado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sem citar nomes, Haddad afirmou que representante da diretoria do BC teria dito, em reuniões, que o dólar poderia atingir R$ 8 –fato que nunca foi concretizado. As declarações foram feitas em entrevista ao portal UOL, que pertence ao mesmo grupo do jornal Folha de S.Paulo e do PagBank. Ele não respondeu aos jornalistas se foi Campos Neto.

Houve um problema de desancoragem das expectativas, em grande medida, alimentada pela postura da gestão anterior, e que o Galípolo teve que administrar”, disse Haddad. “Quando uma autoridade monetária, boca pequena, no exterior e aqui no doméstico, começa a dizer que o dólar pode chegar a R$ 8…”, completou.

As expectativas de inflação são determinantes porque influenciam as decisões de consumo e investimento. O Banco Central utiliza essas projeções para calibrar a Selic, elevando os juros para desaquecer a demanda quando as expectativas superam a meta estabelecida. Esse mecanismo busca reduzir a circulação de moeda e garantir a convergência dos preços, mantendo a credibilidade da autoridade monetária perante o mercado.

Haddad já criticou, no passado, declarações de Campos Neto durante evento na XP em Washington (EUA). Em 23 de setembro de 2025, o ministro da Fazenda afirmou, durante entrevista ao ICL, que o processo de transição foi “muito complexo” e que a toda a história “virá à tona” no futuro. “Essa história vai ser contada no momento adequado”, disse na época.

Nesta 2ª feira (19.jan.2026), voltou a dizer que o processo de transição não foi normal, porque Galípolo teve de reconstruir a credibilidade da autoridade monetária.

Galípolo foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda no 1º semestre de 2023, até ser indicado para a Diretoria de Política Monetária do Banco Central, cargo que ocupou até assumir a presidência da autoridade monetária, em janeiro de 2025.

O Poder360 já publicou que, em 2025, desde que assumiram cargos no BC, nenhum dos 7 diretores indicados pelo presidente Lula votou para cortar o juro base, que está em 15% ao ano desde junho.

Apesar dos juros elevados, Haddad disse que, se pudesse voltar no tempo, teria indicado Galípolo para a secretaria-executiva e para a presidência do Banco Central novamente.

“Eu faria tudo o que eu fiz de novo”, disse. “É uma pessoa em quem eu confio. É uma pessoa que eu sempre insisti em dizer: ‘herdou um problema que só vai ser conhecido depois’”, completou Haddad.

O antecessor de Galípolo era Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro da Fazenda afirmou que Galípolo assumiu “vários problemas” de Campos Neto, e citou o caso de fraudes do banco Master, que, segundo Haddad, todo o problema foi constituído na gestão anterior. O ministro defendeu que o presidente do BC resolveu o problema com grande competência.

“O Banco Master não cresceu neste ano que o Galípolo descascou o abacaxi. E descascou o abacaxi com a responsabilidade de ter, ao final do processo, um processo robusto para justificar as decisões duras que teve que tomar, mas isso foi uma herança”, disse Haddad.

Haddad criticou o prazo de até 2029 dado pelo Banco Central para que empresas que as fintechs –empresas de tecnologia do setor financeiro– se adequem às normais do SFN (Sistema Financeiro Nacional). A gestão Galípolo antecipou o calendário para 2026. Segundo Haddad, o calendário extenso permitiu a falta de fiscalização.

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Por: Poder360

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