• Terça-feira, 26 de maio de 2026

Maior esmagadora de mandioca do Brasil cresce com novos amidos e fatura R$ 385 milhões

Com foco em inovação, eficiência industrial e mercados internacionais, Lorenz - maior esmagadora de mandioca do Brasil - transforma a mandioca em uma das apostas mais estratégicas da agroindústria brasileira

A mandioca brasileira deixou há muito tempo de ser apenas uma cultura tradicional ligada ao consumo doméstico ou à produção de farinha. Nos bastidores da indústria alimentícia, farmacêutica e até de produtos veganos, o amido extraído da raiz vem ganhando espaço estratégico como ingrediente funcional, tecnológico e altamente competitivo. E é justamente nesse movimento que a Lorenz, considerada a maior esmagadora de mandioca do Brasil, acelera sua expansão industrial e amplia sua presença global.

A empresa, pertencente ao grupo GTF, encerrou 2025 com faturamento de R$ 385 milhões, resultado impulsionado pela combinação entre aumento das exportações, expansão fabril e desenvolvimento de novos amidos industriais voltados à indústria de alimentos.

Com quatro unidades industriais localizadas nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, a companhia processa aproximadamente 25 mil toneladas de mandioca por mês e exporta seus produtos para mais de 40 países, a Lorenz também se destaca pela oferta de soluções personalizadas. A empresa conta com uma rede de mais de 1.200 produtores parceiros de mandioca, garantindo fornecimento contínuo e controle de qualidade desde a origem.

“Essas certificações reforçam nosso compromisso com a consistência na qualidade de cada produto e refletem, na prática, o nosso propósito de “criar o que transforma”. Ao longo de mais de um século de história, buscamos evoluir continuamente nossos processos, investir em tecnologia e atender às diferentes demandas do mercado. Nosso objetivo é oferecer ao cliente produtos cada vez mais seguros, confiáveis e alinhados aos mais altos padrões nacionais e internacionais”, ressaltou Aleksandro Siqueira, diretor de novos negócios da Lorenz.

O avanço acontece em um momento em que o Brasil tenta agregar mais valor às commodities agrícolas, transformando matérias-primas tradicionais em soluções industriais de maior margem e sofisticação tecnológica.

Maior esmagadora de mandioca do Brasil

Embora historicamente associada à alimentação básica brasileira, a mandioca vem se tornando uma das matérias-primas mais versáteis da agroindústria moderna. O avanço tecnológico no setor permitiu que o amido da raiz passasse a ser utilizado em segmentos muito mais amplos, incluindo:

  • embutidos;
  • molhos e maioneses;
  • confeitaria;
  • alimentos ultraprocessados;
  • produtos sem glúten;
  • indústria farmacêutica;
  • aplicações veganas;
  • bioplásticos e soluções industriais.
  • Na prática, o mercado busca ingredientes capazes de melhorar textura, estabilidade, rendimento e eficiência produtiva sem elevar custos industriais. É justamente aí que os amidos modificados ganham relevância.

    Segundo a companhia, os novos produtos desenvolvidos incluem soluções para salsichas, maioneses e balas de goma, focadas em maior rendimento industrial e redução de ingredientes nas formulações.

    Mais do que uma simples ampliação de portfólio, o movimento revela uma mudança estrutural no posicionamento da mandioca brasileira dentro da cadeia global de ingredientes alimentícios.

    Crescimento acontece em meio à transformação da agroindústria

    Nos últimos anos, a indústria alimentícia passou por mudanças importantes em escala global. O consumidor moderno pressiona empresas por:

  • rótulos mais limpos;
  • redução de aditivos;
  • produtos veganos;
  • formulações mais sustentáveis;
  • maior eficiência produtiva;
  • menor desperdício industrial.
  • Isso abriu espaço para ingredientes naturais e funcionais, especialmente derivados vegetais com alta capacidade tecnológica.

    Dentro desse contexto, o Brasil possui vantagem competitiva importante. O país reúne: alta disponibilidade de matéria-prima, clima favorável, produção agrícola consolidada e capacidade de expansão industrial.

    A mandioca, especificamente, apresenta características extremamente valorizadas pela indústria:

  • elevada produtividade por hectare;
  • adaptação climática;
  • custo competitivo;
  • grande versatilidade industrial;
  • possibilidade de substituição parcial de ingredientes sintéticos.
  • O avanço da Lorenz reflete exatamente essa transformação silenciosa da cadeia agroindustrial brasileira, que começa a migrar de exportadora de matéria-prima para fornecedora de ingredientes tecnológicos.

    Exportações ampliam relevância estratégica do setor e da Lorenz

    Outro ponto que chama atenção é o avanço internacional da empresa. Exportando para mais de 40 países, a companhia demonstra como ingredientes derivados da mandioca brasileira vêm conquistando espaço em mercados altamente exigentes.

    O crescimento das exportações ocorre em meio à reorganização das cadeias globais de suprimentos, especialmente após os impactos logísticos e inflacionários observados nos últimos anos.

    Na avaliação de analistas do setor de ingredientes, empresas capazes de oferecer:

  • rastreabilidade;
  • regularidade de fornecimento;
  • inovação;
  • sustentabilidade;
  • escala industrial,
  • passaram a ocupar posição privilegiada no mercado global.

    Além disso, a demanda internacional por ingredientes alternativos e soluções vegetais continua em expansão, especialmente na Europa, América do Norte e Ásia.

    Mato Grosso do Sul e Paraná consolidam corredor industrial da mandioca

    A presença industrial da companhia em Mato Grosso do Sul e no Paraná também ajuda a explicar o avanço do setor. Ambos os estados possuem tradição no cultivo da mandioca e vêm consolidando polos agroindustriais voltados ao processamento da raiz.

    O Mato Grosso do Sul, inclusive, se fortalece cada vez mais como um dos grandes hubs agroindustriais do país, atraindo investimentos em bioenergia, proteína animal, celulose e processamento de alimentos.

    Já o Paraná segue como referência histórica na produção e industrialização da mandioca, reunindo cooperativas, produtores especializados e forte integração logística.

    Essa combinação favorece:

  • ganho de escala;
  • proximidade com produtores;
  • redução de custos logísticos;
  • estabilidade de abastecimento industrial.
  • Indústria busca eficiência sem perder qualidade

    De acordo com Aleksandro Siqueira, diretor de novos negócios da Lorenz, o foco da empresa está justamente no desenvolvimento de soluções que aumentem eficiência industrial sem comprometer qualidade.

    Segundo ele, novas linhas como Lorenz MS, ODP e LTE foram desenvolvidas para atender demandas modernas da indústria, incluindo eficiência produtiva, sustentabilidade e mercados específicos, como o segmento vegano.

    A fala revela uma tendência importante: o setor de ingredientes deixou de competir apenas por preço e passou a disputar espaço por tecnologia aplicada.

    Hoje, quem oferece soluções capazes de:

  • reduzir perdas;
  • aumentar rendimento;
  • melhorar estabilidade;
  • simplificar formulações;
  • otimizar custos industriais,
  • ganha vantagem competitiva significativa.

    Agroindustrialização ganha força no Brasil

    O caso da Lorenz – maior esmagadora de mandioca do Brasil – simboliza um movimento mais amplo do agronegócio brasileiro: a busca por maior industrialização dentro da porteira e fora dela.

    Em vez de depender exclusivamente da exportação de commodities brutas, o país começa a ampliar investimentos em:

  • ingredientes industriais;
  • bioinsumos;
  • proteínas processadas;
  • biotecnologia;
  • alimentos funcionais;
  • química verde.
  • Esse processo tende a gerar impactos relevantes: mais empregos industriais, maior geração de valor agregado, diversificação econômica regional e menor dependência das oscilações das commodities tradicionais.

    A mandioca, muitas vezes subestimada dentro do agronegócio nacional, passa agora a ocupar posição estratégica dentro dessa nova lógica industrial.

    E o avanço das esmagadoras e processadoras brasileiras mostra que o setor já percebeu uma realidade importante: no mercado global atual, quem domina tecnologia aplicada à agroindústria tende a capturar as maiores margens do negócio.

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    Por: Redação

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