• Sábado, 28 de março de 2026

Luto na música caipira: adeus ao compositor de “Boi Soberano”

O Brasil perde Izaltino Gonçalves, autor de “Boi Soberano”, e se despede de um dos maiores nomes da música caipira, cujo legado segue vivo nas modas que atravessam gerações.

O Brasil perde Izaltino Gonçalves, autor de “Boi Soberano”, e se despede de um dos maiores nomes da música caipira, cujo legado segue vivo nas modas que atravessam gerações. O Brasil amanheceu mais silencioso neste fim de março. Em meio ao luto, ecoa ainda mais forte a importância da música sertaneja raiz — expressão cultural que nasceu no campo, ganhou corpo nas estradas de terra e se tornou identidade de gerações, especialmente no interior de São Paulo. Mais do que canções, essas modas carregam histórias, valores e sentimentos de um povo que aprendeu a transformar a simplicidade em poesia. É nesse universo que nomes como Izaltino Gonçalves se tornaram eternos. O Brasil se despede de Izaltino Gonçalves, que faleceu nesta sexta-feira, 27 de março, aos 96 anos, deixando uma das obras mais marcantes da música caipira brasileira e um legado que atravessa gerações. homenageando o grande poeta e compositor tanabiense - Izaltino Goncalves
Dr. Aguinaldo José de Góes entregando cartão de prata / Foto: Rúbio/Tanabi-SP
Relojoeiro, poeta e compositor, Izaltino construiu uma trajetória sólida com cerca de 500 modas, além de poesias que refletiam sua alma profundamente ligada às raízes do interior. Casado com dona Laurinda, 81, e pai de três filhos, viu suas composições ganharem o país na voz de mais de 20 duplas, consolidando-se como um dos grandes nomes da música caipira. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Entre suas criações mais emblemáticas está “Boi Soberano”, considerada uma das maiores obras da história da música sertaneja raiz. Escrita na década de 1950, a canção nasceu de um “causo” fictício — tradição típica da cultura caipira — que narra a história de um boi bravo que, contrariando sua natureza, salva a vida de uma criança em Barretos. A força narrativa da música, aliada à dramaticidade da melodia, transformou a obra em um verdadeiro hino do gênero. “Boi Soberano” não apenas atravessou décadas como se consolidou como referência estética e cultural. A canção ajudou a definir o que se entende por moda de viola: uma história bem contada, emoção genuína e ligação direta com o universo rural. Ao longo dos anos, ganhou inúmeras regravações e permanece viva no repertório de artistas e na memória afetiva do público. Sua importância foi tamanha que inspirou, décadas depois, a criação de um monumento em Barretos, símbolo concreto de um legado que jamais se apaga.
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  • Composta em parceria com Carreirinho e Pedro Lopes de Oliveira, a música projetou definitivamente o nome de Izaltino no cenário nacional. No entanto, sua relevância vai além de um único clássico: ele foi um cronista do campo, alguém que transformou vivências, imaginários e sentimentos em versos que seguem tocando corações. Nascido em São José do Rio Preto, em 14 de abril de 1929, Izaltino mudou-se ainda criança para a zona rural, onde construiu sua vida. Filho de carpinteiro, trabalhou desde cedo e não frequentou a escola, mas desenvolveu um talento natural para a música. Aos 22 anos, teve a primeira composição gravada, “Penacho”, e pouco depois daria ao Brasil uma de suas maiores obras. A Prefeitura de Barretos lamentou profundamente a morte de Izaltino Gonçalves e destacou a dimensão de sua contribuição para a cultura popular brasileira. Autor de uma das obras mais emblemáticas da música sertaneja raiz, “Boi Soberano”, Izaltino transformou um “causo” típico do interior em um verdadeiro hino nacional do gênero. Escrita na década de 1950 em parceria com Carreirinho e Pedro Lopes de Oliveira, a canção — eternizada na voz de Tião Carreiro e Pardinho — ajudou a projetar Barretos como cenário simbólico de uma das narrativas mais marcantes da música caipira.
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  • Em nota, o município ressaltou que a ligação de Izaltino com Barretos é permanente e transcende gerações. Em 2025, esse vínculo foi eternizado com a inauguração do Monumento Boi Soberano, reconhecimento oficial ao impacto cultural de sua obra. A Prefeitura também relembrou que, no último ano, a equipe de Comunicação esteve em Tanabi para registrar, por meio do relato de sua filha, os bastidores da criação da canção — um resgate histórico que reforça a força e a atualidade de um legado que permanece vivo na memória do país. Em nota, o município ressaltou que a ligação de Izaltino com Barretos é permanente e transcende gerações. Em 2025, esse vínculo foi eternizado com a inauguração do Monumento Boi Soberano, reconhecimento oficial ao impacto cultural de sua obra. A Prefeitura também relembrou que, no último ano, a equipe de Comunicação esteve em Tanabi para registrar, por meio do relato de sua filha, os bastidores da criação da canção — um resgate histórico que reforça a força e a atualidade de um legado que permanece vivo na memória do país. Monumento da cancao Boi Soberano
    Foto: Barretos Country
    A força de “Boi Soberano” ultrapassou as fronteiras da música e ganhou forma concreta em Barretos. Em 2025, a cidade inaugurou o Monumento ao Boi Soberano, transformando em escultura uma das narrativas mais emblemáticas da cultura caipira. Instalada no Parque dos Lagos, a obra homenageia não apenas a canção, mas todo o universo sertanejo — da fé do homem do campo à tradição boiadeira que marca a identidade da região. Inspirado diretamente na história contada na música, o monumento retrata o momento dramático em que, durante um estouro de boiada, uma criança é colocada em perigo e, de forma inesperada, é protegida pelo boi mais temido do rebanho. A cena, carregada de simbolismo, sintetiza a essência da canção: a mistura de fé, emoção e vida no campo. Mais do que uma atração turística, o espaço se tornou um marco cultural que eterniza a obra de Izaltino Gonçalves e reforça Barretos como um dos grandes berços da música sertaneja raiz no Brasil. Boi Soberano: poesia em sua essência mais pura A canção “Boi Soberano” é uma verdadeira narrativa épica dentro da música sertaneja raiz, estruturada como um “causo” — elemento clássico da tradição oral do interior. A história gira em torno de um boi extremamente bravo e temido, conhecido justamente como Soberano, que havia se tornado uma espécie de lenda pela sua força e agressividade, sendo considerado impossível de dominar. O enredo se desenvolve durante uma comitiva ou situação típica do universo rural, quando, em meio ao manejo do gado, uma criança acaba ficando em perigo iminente diante do animal. O que se espera é o pior: a violência do boi. No entanto, em um momento de reviravolta que dá força emocional à música, Soberano surpreende a todos ao poupar — e, na essência do relato, salvar — a criança, rompendo com sua imagem de fera indomável. Esse contraste entre a brutalidade esperada e o gesto inesperado de “consciência” ou instinto protetor do animal é o ponto central da obra. A música constrói tensão, drama e, por fim, catarse, características que ajudaram a consolidá-la como um marco da moda de viola. Mais do que uma simples história, “Boi Soberano” simboliza valores muito presentes na cultura caipira: respeito à vida, imprevisibilidade da natureza e a ideia de que até o mais bruto dos seres pode revelar um lado nobre. Por isso, a canção atravessou décadas sendo reconhecida não apenas pela melodia, mas pela força de sua narrativa — um exemplo clássico de como a música sertaneja raiz funciona como registro cultural e emocional do Brasil profundo. O corpo está sendo velado na Câmara Municipal de Tanabi e o sepultamento será neste sábado, 28 de março, às 10h, no Cemitério Municipal.
    Por: Redação

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