A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS deve ouvir, já na próxima 5ª feira (4.set.2025), o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi (PDT). Segundo integrantes da cúpula do colegiado, o acerto está praticamente fechado. Será a 5ª reunião da comissão.
Para não tensionar excessivamente com o Planalto, o colegiado também deve chamar no mesmo dia o ex-ministro Onyx Lorenzoni (União Brasil-RS), que chefiou o órgão no governo Jair Bolsonaro (PL). A estratégia é equilibrar a pauta com nomes dos 2 lados.
Onyx foi ministro do Trabalho e Previdência até abril de 2022, quando deixou o cargo para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul. Ele foi derrotado pelo atual governador, Eduardo Leite (PSD).
Já Lupi deixou a Previdência depois de a PF (Polícia Federal) deflagrar a operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O prejuízo estimado do esquema é de R$ 6,5 bilhões de 2019 a 2024.
Um acordo entre governo e oposição estabeleceu que ministros serão 1º convidados. Convocações formais só serão aprovadas caso recusem comparecer.
Além disso, a CPMI definiu uma lógica para as agendas:
O irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, deve ser um dos convocados durante a investigação.
Desde junho de 2023, ele é vice-presidente do Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos). A entidade é alvo de investigação da Polícia Federal por supostos descontos indevidos nos contracheques de aposentados.
Pelo acordo inicial dos integrantes da CPMI, serão convocados só os presidentes das entidades.
“Por esse critério, não tem sentido convocar o Frei Chico. Ou vão convocar todos os diretores de associação?”, questionou o líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Frei Chico é vice-presidente, não diretor.
O líder do Novo na Câmara, Marcel Van Hattem (RS), tem outra avaliação. “A convocação do irmão do Lula está prevista desde antes dos trabalhos começarem. Depois de ouvidos os presidentes, vamos avaliar quais entidades precisam de novas convocações”, disse.
Todos os integrantes da CPMI ouvidos pelo Poder360 disseram em unanimidade que não há acordo para que ele deixe de ser convocado.