Autoridades italianas
O prefeito de Milão, Beppe Sala, foi uma das vozes mais críticas em relação ao envolvimento da agência.Em declarações posteriores, reforçou “que (os agentes do ICE) não deveriam vir para a Itália porque não há garantias de que eles se comportarão conforme nossa forma democrática de garantir a segurança”. Inicialmente, o ministro italiano do Interior, Matteo Pantedosi, minimizou a questão, dizendo que mesmo que agentes estivessem presentes, isso não seria um problema. Seria “perfeitamente normal”, já que delegações estrangeiras podem escolher a sua própria segurança. Contudo, diante do crescimento da polêmica, adotou uma posição mais firme, dizendo que “o ICE certamente não vai operar em território nacional italiano” e sublinhou que a segurança do evento é garantida pelo Estado italiano. Os EUA, acrescentou, não divulgaram uma lista de pessoal de segurança. A controvérsia se intensificou-se após o governador da Lombardia, Attilio Fontana, afirmar que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, seriam protegidos por “guarda-costas do ICE” durante os Jogos Olímpicos. Segundo a BBC, Fontana procurou acalmar os ânimos, sugerindo que a presença do ICE estaria limitada à proteção de JD Vance e do secretário de Estado dos EUA.“Esta é uma milícia que mata. É evidente que eles não são bem-vindos em Milão. Será que não podemos simplesmente dizer não a Trump de uma vez por todas?”, disse à emissora de rádio RTL citado pelo The Guardian.
"Nós mesmos podemos cuidar da segurança. Não precisamos do ICE”
Críticas à primeira-ministra
A oposição política aproveitou o episódio para criticar o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. A senadora Barbara Floridia, do Movimento Cinco Estrelas, alertou que o silêncio do governador da Lombardia seria “mais uma prova de covardia e subserviência a Donald Trump”. Já Alessandro Zan, eurodeputado do Partido Democrático, escreveu em sua rede social X que a presença do ICE seria “inaceitável”.Dois partidos da oposição, a Aliança Verde e de Esquerda (AVS) e a Azione, lançaram abaixo-assinados exigindo que o governo italiano e o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno impeçam a entrada e o envolvimento de agentes do ICE. “O ICE é a milícia que atira em pessoas nas ruas de Minneapolis e separa crianças de suas famílias”, declarou a AVS. O jornal italiano La Repubblica noticiou que o governo italiano chegou a considerar bloquear a participação dos agentes. A decisão, no entanto, exigiria uma mudança significativa nos protocolos habituais de proteção a autoridades norte-americanas em visitas oficiais ao exterior, segundo o The Guardian. O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, tentou miniizar a tensão. “Não é como se a SS estivesse chegando à Itália”, disse ao se referir à organização paramilitar nazista da Alemanha.“Na Itália, não queremos aqueles que pisoteiam os direitos Humanos e agem fora de qualquer controle democrático”, afirmou.
Apesar das garantias oficiais, o prefeito de Milão manteve a sua posição: “Nós mesmos podemos cuidar da segurança. Não precisamos do ICE”, afirmou Beppe Sala, resumindo o sentimento de uma parte significativa da opinião pública italiana à medida que se aproxima a abertura dos Jogos, no próximo dia 6 de fevereiro. Relacionadas“Eles não estão vindo para manter a ordem pública nas ruas. Estão vindo para colaborar nas salas de operações.”
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