• Terça-feira, 10 de março de 2026

Irã diz esperar frota dos EUA no estreito de Ormuz

Guarda Revolucionária afirma que dará passagem livre a países que romperem relações com Estados Unidos e Israel.

As Forças Armadas do Irã disseram nesta 3ª feira (10.mar.2026) que estão à espera da frota naval dos Estados Unidos no estreito de Ormuz e afirmaram que o desfecho da guerra “está nas mãos do Irã”. No mesmo dia, a Guarda Revolucionária Islâmica, a IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica), declarou que dará passagem irrestrita pelo estreito a países árabes ou europeus que expulsarem embaixadores de Israel e dos EUA e romperem relações diplomáticas com os 2 países.

A sinalização veio do porta-voz da IRGC, major-general Ali Mohammad Naeini, em fala divulgada pela mídia estatal iraniana. Ele declarou que as forças iranianas aguardam a chegada da frota americana na região do estreito de Ormuz e também do porta-aviões Gerald R. Ford. Naeini disse ainda que navios, embarcações e aviões de combate dos EUA teriam se afastado da área e passado a operar a mais de 1.000 km de distância, numa tentativa de evitar os mísseis e drones iranianos. As informação são da CNN.

O militar também afirmou que, se os ataques conduzidos por EUA e Israel continuarem, o Irã não permitirá a exportação de “1 litro de petróleo” da região.

O estreito de Ormuz é uma faixa marítima estreita entre o Golfo Pérsico e o mar de Omã. Apesar de ter só cerca de 38 quilômetros de largura em seu trecho mais estreito, concentra a passagem de quase 1/5 da oferta mundial de petróleo. Por isso, qualquer ameaça à navegação na área tem efeito quase imediato sobre os mercados, pressiona o preço do barril e eleva o temor de desabastecimento.

No dia 5 de março, a IRGC já havia afirmado que o estreito estava fechado a navios dos EUA, de Israel, da Europa e de outros aliados ocidentais. A medida reforçou a percepção de que Teerã passou a usar o controle da passagem marítima como instrumento de retaliação militar e de pressão diplomática.

Também na 2ª feira (9.mar), a IRGC declarou que países árabes ou europeus que expulsarem embaixadores americanos e israelenses e cortarem relações com os 2 governos terão “pleno direito e liberdade” para cruzar a via marítima.

Do lado americano, o presidente Donald Trump (Partido Republicano) endureceu o discurso na 2ª feira (9.mar). Disse que o estreito “vai continuar seguro” e ameaçou impor ao Irã um custo “incalculável” caso o país tente atacar embarcações. Em outra declaração, o presidente dos EUA afirmou que poderá atacar o Irã de forma 20 vezes mais forte do que já atacou. No momento, 2 grupos de ataque com porta-aviões americanos estão mobilizados no Oriente Médio: o USS Abraham Lincoln, no mar Arábico, e o USS Gerald R. Ford, no mar Vermelho, depois de cruzar o canal de Suez.

O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.

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Por: Poder360

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