• Segunda-feira, 23 de março de 2026

Gilmar quer fazer em 2026 o maior Gilmarpalooza de todos

Fórum de Lisboa está marcada para 1º, 2 e 3 de junho; ministro deseja fazer um grande evento para se contrapor a críticas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes pretende que a 14ª edição do Fórum de Lisboa seja a maior de todas já realizadas. Planeja ter muitos representantes do Poder Judiciário e de empresas e associações da sociedade civil em geral.

O Gilmarpalooza, como ficou conhecido o evento anual em Portugal (uma brincadeira com o nome do festival de música Lollapalooza), está programado para os dias 1º, 2 e 3 de junho de 2026.

Em 2025, o encontro teve a presença de representantes de 64 empresas e 360 palestrantes. Entre os que deram palestras, havia 39 executivos de empresas e 25 de entidades ligadas a interesses privados. 

O STF passa por um momento de pressão. A corte é mal avaliada pela população. Sua  imagem está desgastada. Dos 10 ministros que estão no Supremo neste momento (uma cadeira está vaga há 5 meses desde a aposentadoria de Roberto Barroso), 9 têm avaliação mais negativa do que positiva.

O único ministro mais bem avaliado (43%) do que rejeitado (36%) é André Mendonça. Ele é relator dos 2 casos mais rumorosos na Justiça brasileira –as investigações sobre fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e a respeito do Banco Master.

O fundador do Master, Daniel Vorcaro, manteve contratos com familiares de várias autoridades dos Três Poderes, incluindo ministros do STF. Vorcaro firmou na 5ª feira (19.mar.2026) um acordo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. É a 1ª etapa para um acordo de delação premiada.

Encontros de magistrados no exterior têm se tornado frequentes nos últimos anos. Em abril de 2024, o Master foi um dos patrocinadores de uma reunião em Londres. Magistrados ficaram hospedados em um hotel de luxo, o Peninsula. Foram convidados para uma degustação do whisky Macallan.

O Gilmarpalooza 2026 tem inscrições abertas no site do evento. No perfil do Fórum de Lisboa no Instagram, 2 palestrantes já estão confirmados: o próprio Gilmar Mendes e Angelika Nussberger, diretora do Instituto de Direito da Europa Oriental e Direito Comparado da Universidade de Colônia, na Alemanha.

As palestras do encontro serão na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Durante os dias que passam em Portugal, representantes de empresas privadas aproveitam para oferecer festas e jantares privados para os participantes –oportunidade que empresários têm para se aproximar de operadores do direito que atuam no Poder Judiciário.

No site do Gilmarpalooza 2026, a descrição do encontro é a seguinte: “Promovido pelo IDP, pelo Lisbon Public Law (LPL) e pela FGV Justiça, o evento consolida-se como um dos mais relevantes fóruns internacionais dedicados à análise dos grandes desafios institucionais contemporâneos. Nesta edição, o tema central ‘Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais’ orientará debates de alto nível sobre as transformações do cenário global, o impacto das novas tecnologias e os novos contornos da democracia, da economia e da organização social dos Estados”.

O IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) é uma empresa privada de ensino superior fundada em 1998, em Brasília, pelo ministro Gilmar Mendes –à época, tinha 2 outros sócios: Inocêncio Mártires Coelho (que foi procurador-geral da República de 1981 a 1985) e Paulo Gonet Branco, que é o atual procurador-geral da República. Tanto Inocêncio como Paulo Gonet deixaram a sociedade. 

Em entrevista em maio de 2025, Mendes foi indagado se havia conflito de interesses entre sua atuação como magistrado e a atividade do IDP, que tem contratos com a Confederação Brasileira de Futebol para fornecer cursos. Disse não ver problemas em ser dono da instituição e julgar casos relacionados à CBF. “Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os cursos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP”

Por: Poder360

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