A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entra em sua 3ª semana e há temores de que possa causar um apagão de internet no mundo. Cabos submarinos na região são usados por mais de 90% do tráfego mundial de dados e a ruptura dessas estruturas teria impacto em todo o planeta.
Segundo o site Capacity Global, pelo menos 17 cabos submarinos atravessam o mar Vermelho, formando um corredor de dados crucial que conecta a Europa, a Ásia e a África. O estreito de Ormuz é igualmente vital –importantes sistemas de cabos, incluindo o AAE-1, o FLAG Alcatel-Lucent Optical Network, o Gulf Bridge International Cable System e o TGN-Gulf, passam por essa região, de acordo com a empresa de pesquisa em telecomunicações TeleGeography.
Esses cabos conectam os principais centros de dados construídos no Golfo por empresas como Amazon, Microsoft e Google a bilhões de usuários em todo o mundo. Esses cabos são relativamente fáceis de danificar, seja por minas navais, âncoras ou ação militar direta. O Irã já implantou minas marítimas no estreito, fechando-o efetivamente ao tráfego de navios.
Segundo relatos, o mar Vermelho é particularmente vulnerável, pois os cabos ficam em águas relativamente rasas. Em 2025, o rompimento de um cabo submarino na região afetou os serviços de internet na Índia, no Paquistão e em países do Oriente Médio, depois que um navio comercial teria arrastado sua âncora e cortado vários cabos de internet submarinos.
De acordo com a agência Bloomberg, em 12 de março, a Meta disse que suspendeu parte de seu projeto 2Africa –um sistema de cabos submarinos planejado com 45.000 km de extensão, que pretende expandir a conectividade à internet na África e na região do Golfo. A empresa planejava lançar um segmento do cabo, que passará por pontos de ancoragem em Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Paquistão, Índia e Arábia Saudita.
A Alcatel Submarine Networks, empresa responsável pela instalação do cabo de fibra ótica do projeto 2Africa, declarou que não pode mais continuar operando com segurança, segundo o que fontes familiarizadas com o assunto disseram à Bloomberg. Grande parte do cabo já foi instalada no fundo do mar, mas ainda não foi conectada a todas as estações de ancoragem.
Quando concluído, o projeto 2Africa será o maior sistema de cabos de fibra óptica do mundo, conectando países ao longo de toda a costa da África à Europa e ao Oriente Médio. O trecho no golfo Pérsico e um segmento no mar Vermelho são as duas partes que ainda precisam ser finalizadas.
A Meta tem planos para construir um novo cabo, o Projeto Waterworth, que contornará o Oriente Médio para conectar os EUA, a Índia, a África do Sul e o Brasil. Mas a conclusão desse projeto ainda levará anos.
De acordo com a Bloomberg, as obras do Sea-Me-We 6, um cabo em desenvolvimento por um consórcio que inclui a empresa francesa de telecomunicações Orange, foram interrompidas. O projeto FIG, supervisionado pela empresa catariana Ooredoo, também está paralisado.
O conflito tornou praticamente impossível para navios de reparo realizarem a manutenção dos cabos submarinos já em uso na área. “Navios de cabos não vão operar em áreas onde há operações militares ativas, é muito arriscado”, disse Alan Mauldin, da TeleGeography, à Bloomberg. Mauldin afirmou que o tráfego de internet pode ser redirecionado por outros cabos, incluindo rotas terrestres através de Omã e Arábia Saudita. “Portanto, ainda existe pelo menos uma maneira de manter a conectividade”, disse. As velocidades de internet na região, no entanto, podem diminuir.
Assista a um vídeo do site Business Insider que mostra os cabos submarinos que fornecem energia à internet (2min22s):





