Os Estados Unidos enviaram 4.500 militares ao Oriente Médio, entre fuzileiros navais e marinheiros, em meio à escalada de tensão com o Irã. Segundo o jornal The Washington Post, o deslocamento indica preparação para uma possível disputa direta pelo controle do estreito de Ormuz e de instalações estratégicas de energia na região.
De acordo com a reportagem publicada no domingo (22.mar.2026), o contingente inclui um batalhão de infantaria com apoio de helicópteros, caças F-35 e veículos blindados de desembarque. O Pentágono também acelerou o envio da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, baseada em San Diego, reforçando a capacidade de operações anfíbias no Golfo.
Uma autoridade israelense com acesso a planejamentos militares disse ao jornal que o envio tem objetivo claro. “Esses fuzileiros não estão indo a passeio”, declarou. Segundo a mesma fonte, o plano é assumir o controle de áreas estratégicas, como a ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, e o próprio estreito de Ormuz.
O movimento se dá em meio ao ultimato dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), para que o Irã reabra totalmente o estreito em até 48 horas –prazo que se encerra nesta 2ª feira (23.mar), às 20h44 (horário de Brasília). O republicano afirmou que, caso Teerã não cumpra a exigência, os militares norte-americanos atacarão e destruirão as usinas de energia iranianas.
Em publicação feita na madrugada desta 2ª feira (23.mar) na plataforma Truth Social, Trump escreveu: “PAZ POR MEIO DA FORÇA, PARA DIZER O MÍNIMO!!!”.

A resposta iraniana elevou ainda mais a tensão. A Guarda Revolucionária declarou que fechará o estreito indefinidamente se houver ataque às infraestruturas do país. Autoridades do governo também afirmaram que instalações energéticas no Oriente Médio passarão a ser consideradas alvos em caso de ação militar dos EUA.
O estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Cerca de 1/4 da produção global passa pela região. O controle da passagem e de pontos estratégicos de exportação, como a ilha de Kharg, é visto por autoridades militares como decisivo para o desfecho do conflito.
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, em 24 de fevereiro, Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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